Mais um casório!

(ilustração por Diego Gibran)

Mais um cordel que tenho a honra de fazer para um casamento. Este foi mais que especial, afinal conheço a noiva desde os meus 8 anos de idade. Uma criatura encantada que fez e faz parte da minha vida, apesar dos caminhos diferentes (e agora distantes) que a própria vida nos levou a tomar. Lembro-me das tardes na casa da imbiribeira, onde nós duas, gordinhas, assaltávamos a geladeira, de hora em hora. Lembro-me também das brigas que eram resolvidas depois de horas de conversas ao telefone. Os irmãos mais novos (minha irmã e o irmão de Thaisi têm a mesma idade) eram cúmplices na hora de fazermos as pazes. Tenho ainda um punhado de outras boas lembranças, e agora mais uma pra ficar guardada: vê-la entrando no altar, vestida de noiva, para dar a mão ao querido e felizardo Moacyr. Quase que eu não aguento! Aliás, não aguentei. Fui chamada para declamar o poema e no final abri o berreiro, eita que eu sou muuito mole!

Um brinde ao casal! Feliz nova vida!

Um Romance em Cordel:
Thaisi & Moacyr

Para falar de Amor
Eu recorro à poesia
Vou atrás de cada verso
Que narre com simpatia
E aqui nesse papel
Num folheto de cordel
Eu descrevo a travessia:

Uma história verdadeira
Um casal que se encontrou
Mas que isso, duas almas
Que o destino entrelaçou
E por obra do acaso
Sem avanço, nem atraso
Um ao outro encontrou

Foi numa noite qualquer
Dessas noites pra dançar
Que ela moça bonita
Acabou por encantar
Ele, rapaz de sorte
Que apesar de muito forte
Resolveu se entregar

Foi sábio de sua parte
Pois com paixão não se brinca
E foi avassaladora
Dessas que o peito trinca
Moacyr caiu aos pés
De cara levou revés
E é aí que amor se finca

Pois ele não desistiu
De fazê-la sua amada
E mesmo quando enfim
ensaiou a retirada
um breve olhar foi bastante
pra que houvesse um levante
e se deu a retomada

entre conversas extensas
varando as madrugadas
a moça lhe foi cedendo
e se viu apaixonada
não há nada melhor na vida
que paixão correspondida
que amar e ser amada

Finalmente aconteceu
ele então a conquistou
num bucólico cenário
o namoro começou
entre beijos e carinhos
num simplório canteirinho
foi um mar que os inundou

Nesse oceano de amor
Thaisi é porto seguro
Em que Moacyr descansa
Sentimento assim tão puro
Isso não é brincadeira:
Vai durar a vida inteira
Será belo o seu futuro

Houve desentendimentos
‘inda outros haverá
Coisa comum entre aqueles
Que se prestam a amar
Não existe amor-perfeito
E é mesmo bom um defeito
Ter sempre o que consertar!

E vão amadurecendo
Juntos, com a convivência
A cada dia que passa
Uma nova experiência
Sempre um aprendizado
Cúmplices, lado a lado
Aprendendo a paciência

Desde cedo Moacyr
Já abriu todas as portas
Da casa, do coração
(a que realmente importa)
E Thaisi foi entrando
Aos poucos se ambientado
Até ver-se absorta

Seu futuro é um presente
Que se faz nesse momento
Quando esses dois se unem
Por meio do casamento
Que é nada mais que um rito
Expressão do infinito
E eterno sentimento

A família dá a benção
E eles deixam suas casas
Vão seguir o seu caminho
Pois que já criaram asas
Vão voar o mundo afora
Enquanto eles vão embora
A saudade nos arrasa!

Mas saudade é coisa boa
Só sente mesmo quem ama
E por amar esses dois
Quem aqui está conclama
“Que sejam muito felizes!”
“Não percam suas raízes!”
Alegria se derrama…

Um poema tão singelo
Escrito com emoção
Rimas vindas do peito
Do fundo do coração
Feito para abençoar
Esses dois que vão casar
E selar esta união!

Mariane Bigio,
Recife, 08-07-2012

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disritmia

“Ando sem ré e sem fole
Sem fôlego
Desafinada, desatinada
Qualquer coisa me deixa mole
Um poema, um abraço
Uma canção
Se for um samba
Bambeia o sangue
E o coração
Vai parando, parando, ando, ando…
Ando colcheia de tudo
Ando sem nota nem pauta
Ando sem clave nem chave

Ando com meu peito mudo

Fora da linha, fora do tom
Assim que é bom,
Assim que é bom.”

(poemúsica? 17-06-12)

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Poesia, cultura e educação.

Fui convidada para fazer um texto, em formato de cordel, que apresentasse e explicasse a Pesquisa-ação para um plano articulado de Cultura e Educação, desenvolvida pela Casa da Arte de Educar do Rio de Janeiro, aqui em Recife e, na sequência, em mais 4 cidades brasileiras. Além de ter adorado criar o texto (ainda vou elaborar mais um sobre a culminância do evento), fiquei encantada com o projeto e feliz por me sentir parte desta empreitada, desta ciranda que é de todos nós.

“Peço às musas da poesia
Que me tragam inspiração
Pra que eu possa traduzir
Com versos, com emoção
Todo o significado
Do que será semeado
Desde esta Pesquisa-Ação

A começar pelo nome
Eu me vi surpreendida
Refleti, e me dei conta
Da façanha pretendida
Esta tal pesquisa-ação
Quer mudar a educação
Como nos é conhecida!

Uma ideia tão sabida
Que esse povo vem trazer!
Se aprochegue, participe
Vale à pena conhecer!
A mudança é possível
Mas exige combustível
E essa força é você!

Essa iniciativa
É algo convidativo
vamos integrar um grupo
Ou melhor, um Coletivo
Cheio de mentes pensantes
Com ideias fervilhantes
De cunho investigativo

Junto ao MinC, a Casa
Da Arte de Educar
Ao lado também do MEC
quer conosco formular
uma série de princípios
e o nosso município
é o primeiro a começar!

São princípios que pretendem
Uma estruturação
De uma plano articulado
De Cultura e Educação!
Envolvendo educadores,
Artistas e professores
Em prol da transformação

.
O mote: A integração!
A Educação Formal
Oriunda das escolas
Juntamente à Informal
Vinda da Comunidade
Respeito à diversidade
Premissa fundamental

E nesse laboratório
iremos observar
práticas que utilizamos
ao aprender e educar
de forma experimental.
O ensino fundamental
nosso foco a estudar

A Mandala dos Saberes
É a tecnologia
Que a Pesquisa utiliza
Pra trazer o dia-a-dia
O Saber cotidiano
Pra ficar no mesmo plano
Do que a escola principia

Relembrando Paulo Freire
No cotidiano a prática
Tem a mesma valentia
Que a História, a Matemática
Vamos usar poesia
Pra que a pedagogia
Já não seja mais estática!

Poetizar a escola
E a educação também!
E o que for feito aqui
‘inda seguirá além
Todo o material
Vai ao meio digital
O Saber não se detém!

Fóruns e alguns encontros
Pelas cinco regiões
Serão o ponta pé
Para as mobilizações
Formação continuada
Também será motivada
Por essas reuniões

O sujeito é o centro
E o foco de atenção
Nossa base de estudos
Faz a observação
Do sujeito entre iguais
Nas práticas sociais
Sobretudo educação

Que educação queremos?
Vamos fazê-la real!
E uma aprendizagem
Sendo intersetorial?
Pensar sobre tais questões
Guiará nossas ações
rumo ao nosso ideal!

Buscamos alcançar uma
Educação Humanista
Radicalmente integral
Que a nossa luta consista
Fazer os competitivos
Serem cooperativos
A nossa grande conquista!

Que a política retorne
À vivência escolar
Me refiro à política
No sentido de cuidar
Da “pólis“, nossa cidade
Corresponsabilidade
É o que vamos praticar.

Esse encontro não intenta
Formulação de verdades
Mas seu objetivo é
Entender a realidade
Pois só na compreensão
Se faz a transformação
De uma sociedade

A exemplo da Mandala
E da circularidade
Que envolve a pesquisa
Abracemos de verdade
Pra que essa causa expanda
Cantemos numa ciranda:
Educar com qualidade!”

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Lua!

 

O Circo dos Astros vem aí, um novo projeto-espetáculo para crianças!

Pra deixar um gostinho do que vai ser, uma gravação caseira de uma das músicas que compõem o espetáculo!

 

 

Lua ganha do Sol

a sua luz prateada

Astro ilumindado

que pega luz emprestada

 

Lua gira pra Terra

e mexe com as marés

brilho reflete n’água

que molha os pés

 

Lua que vai sumindo

em cada noite adiante

um “filetinho” de luz

em sua Fase Minguante

 

Lua linda, onde estás?

encontrá-la é meu desejo!

é noite de Lua Nova

e lá no céu não te vejo!

 

O que é aquilo no céu?

é a Lua, sorridente

ilumina nossa alma

em sua Fase Crescente!

 

Lua grande e redonda

reluz sobre a Terra inteira

bichos fazem serenata

e noite de Lua Cheia!

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“Cordel ao Pé do Ouvido” (projeto Bigio!)

 

O que a gente tem de melhor a gente decidiu juntar. Um misto de fraterno, poético e musical: Cordel ao Pé do Ouvido.

Esse é um projeto das “irmãs Bigio” (que onda!), que mistura contação de cordéis infantis com músicas e sonoplastia. Tenho me aprimorado cada vez mais na escrita de textos para o público infantil, sempre apostando na autêntica estética da Literatura de Cordel, que tem um potencial enorme para cativar as crianças. O ritmo e a rima as deixam absortas! Sempre busco, nos nossos recitais, falar um pouco dessa literatura popular, tão nossa; Falar de sua história, de suas características. O recital é todo com textos autorais, e os temas são sempre educativos e brincalhões. O que a gente quer é incentivar o apreço dos pequeninos pela leitura, pela palavra, buscando mesclar a diversão ao aprendizado.

 

O melhor é que a gente se diverte também. De verdade!

 

    

 

Ah! Gravamos um CD, em 2011, para divulgar o projeto! Quem quiser pode ouvir (e até comprar!) por aqui: Cordel ao Pé do Ouvido, com Mariane e Milla Bigio!

 

 

 

 

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Uma palhinha do “Cordel Mais Nojento do Mundo”!

“Quero lhes apresentar

um poema sugismundo!

com versos bem fedorentos

em um texto tão imundo

que só sendo o cordel

mais nojento desse mundo!

 

Quem nunca ‘limpou salão’

que atire uma meleca!

quem nunca passou o dia

usando a mesma cueca?

toda criança feliz

é um bocado sapeca!

 

Tem menino que diz “eca”

quando come berinjela

ou quando tem um tomate

com alface na tigela

“eca” é coisa pra dizer

só se for comer remela!

(…)

Chega de tanta nojeira

de tanta coisa asquerosa!

foi só pra fazer folia,

uma farra bem gostosa

todos sabem que bom mesmo

é criança bem cheirosa!”

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Um Cordel pra virar Rap! – “O Rap dos Transportes”

“Venham todos, venham todos

Nós Iremos Passear

De uma cidade a outra

Pelo mundo viajar

E que meio de transporte

Nós vamos utilizar?

 

Para distâncias mais curtas

existe a bicicleta

Não polui nossa cidade

É esporte dos atletas

Através da ciclovia

faz a curva e segue a reta

 

Se for a família inteira

carro é boa opção

Cabe o pai, a mãe, o filho

a irmã e o irmão

Tem buzina, quatro rodas

cinto é obrigação!

 

Ônibus é coletivo

é transporte de primeira

Motorista e cobrador

nas viagens rotineiras

trabalhando com afinco

levando a turma inteira!

 

Do Nordeste ao Sudeste

é melhor de avião

Mais parece um passarinho

voa em toda direção

E o tal Santos Dumont

é o pai da aviação

 

Para navegar no mar

ou pelas águas do rio

o melhor jeito que há

é de barco ou navio

flutuando calmamente

balançando bem macio

 

Para cargas ou pessoas

transportar na ferrovia

Há o trem que vem de longe

Seu apito anuncia

Dentro dele o maquinista

conduz toda travessia

 

No foguete espacial

vou cruzar o universo!

Conhecer muitos planetas

e os astros mais diversos

quem quiser me acompanhe

de quem fica me despeço!”

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Dolorido.

Evangelho de João (Maria, José, Ana, Francisco…)

 

Aquele que nunca sofreu

que ature a primeira perda.

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Melancolia (pré-carnavalesca???)

As plantas de um vasinho miúdo
respiram quietas ao meu lado.
Não há mais vida na sala
a não ser eu
e as plantinhas nesse vaso miúdo.
O vento as balança e me carinha,
devagar.
Olho as paredes nuas e penso nos quadros
que poderiam estar lá.
Fotografias da família,
ou talvez uma pintura de outras plantas
em seus vasinhos.
Eu poderia ter colorido essa minha parede
vazia.
Jazia dentro de mim uma saudade diáfana.
Saudade mesmo das imagens,
dos rostos que eu não queria esquecer.
O Sol entrou, depois do vento, e iluminou a parede
branca, lisa,
ainda vazia.
Fazia tempo que eu não me sentia assim.Vou pendurar a natureza morta na parede.
As pessoas amadas que se foram e outras flores inertes.
Ainda que as cores sejam frias, serão, ainda, e sempre, cores.
Ainda que a morte fria esfacele a vida, terá sido, ainda, e sempre, vida.
E o amor?
O Amor não adormece,
tal como o Sol,
nem se despede,
assim, feito o vento.
Sem pedir licença ele nos toca,
e ilumina a alma
outrora vazia.

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Nem Nada

 

 

A medida que nem tudo que parece é

nem tudo que perece era

Ao passo que nenhum peito é só amor

Nenhuma carne é só desejo

Nem tudo fora é despejo

Nem toda pressa é vontade

Nem toda prece é de fé

Nem toda hora é hora

Nem toda espera demora

Nem todo quase

é mais que a metade…

 

E nunca

(eu disse nunca)

Nada é sempre tudo verdade.

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