A História da Perna Cabeluda em Cordel

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Saci perêrê já vi
Pular de uma perna só
Mas uma historia que ouvi
Fala em coisa bem pior!
“Criança muito abelhuda
chama a Perna Cabeluda”
Ralhou comigo a vovó!

A tal Perna Cabeluda
Era uma assombração
Que andava pelo Recife
E virou uma atração
O rádio noticiava
Todo mundo acreditava
Era grande a confusão!

Contaram que uma vez
Um rapaz que era vigia
Levou um chute da Perna
E viveu uma agonia
Foi parar no hospital
Sentiu dor e passou mal
Chamou Jesus e Maria…!

Uma perna sem o corpo
Mas que coisa tão estranha!
Ela era tão ligeira
De agilidade tamanha
Que ninguém lhe alcançava
A Perna sempre escapava
Tal era a sua façanha!

Fui pra cama aquela noite
Pensando na história antiga
E sentindo um desconforto
Como um frio na barriga
Minha vó me confessou
Ser mentira o que contou
Mas fiquei com a intriga….

Eu deitada, bem quieta
Fui começando a dormir
Então veio o pesadelo…
Quando meus olhos abri
Lá estava, bem graúda
A tal Perna Cabeluda
Da história que eu ouvi!!!

Eu estava lá sozinha
Sem ninguém pra ajudar
E na minha direção
Veio a Perna a pular
Eu sai dali correndo
Mas que pesadelo horrendo!
E comecei a gritar

E a Perna então parou
Ficou na ponta do pé
Foi aí que eu senti…
O fedor do seu chulé
No chão feito de areia
Escreveu com letra feia
Com seu dedo fez: “Pelé”

“Eu só posso estar sonhando!”
Eu pensei naquela hora
A Perna continuou
Que será que vem agora?
Desenhando com a sola
A perna fez uma bola
E eu disse: ora, ora!

Como em sonho pode tudo
Eu virei logo um goleiro
Vinda da imaginação
A bola chegou ligeiro
A Perna veio faceira
Botou tênis, caneleira
Deu um chute, bem certeiro!

Eu pulei gritando gooool!
A Perna comemorou
E aquela tabelinha
Muito tempo demorou
Foi desse jeito medonho
No mais esquisito sonho
Que a Perna se apresentou!

Eu contei pra minha avó
Assim que nasceu o sol
Ela ria de chorar
E dobrava o meu lençol
A tal Perna Cabeluda
Só queria mesmo ajuda
Pra jogar seu futebol!

por Mari Bigio

Sobre Mariane Bigio

Poeta e Videasta. Eu faço versos como quem chora, ama, brinca, ri.... Eu faço versos como que vive.
Esse post foi publicado em CORDEL, folclore, mistério e assombração, Poesia Infantil, Vídeos e marcado , , , , , , , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

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