Cordel para Meditar – A Floresta Encantada



Te convido a escutar
A beleza da poesia
Do encontro entre as palavras
Com encanto e a magia
Feche os olhos e desfrute
Qual fosse uma melodia…

Sente ou deite, confortável
Respire profundamente
Inspire puxando o ar
Solte vagarosamente
Deixe que o ar penetre
E repouse a sua mente

Inspire como quem sente
O perfume de uma rosa
Expire soprando o ar
De maneira vagarosa
Ouça a respiração
Levemente ruidosa

Use a imaginação
Para adentrar num portal
De uma Floresta Encantada
Um lugar fenomenal
Em que a natureza brinca
Com a Fantasia irreal

Transpassando uma cortina
Feita de folhas pendentes
O outro lado do portal
É algo surpreendente
Folhagens de tons diversos
De atmosfera envolvente

Flores pulsam vibrantes
Com as pétalas furta-cor
Muitas folhas orvalhadas
E a sensação de frescor
Toma conta do seu corpo
A alegria vem compor

Uma clareira se abre
entre as árvores frondosas
Pássaros coloridos
E uma poeira brilhosa
Revela pequenas fadas
Criaturas maravilhosas

Ninfas e alguns duendes
Brincam de se esconder
Sorridentes e furtivos
Tímidos ao aparecer
São anfitriões minúsculos
Que vêm pra te receber
 
Os musgo desenha os tronos
Recobre as pedras também
Revelando a umidade
Que aquele lugar retém
É um como um jardim soturno
Nesta terra de ninguém

Uma clareira desvela
Uma gruta logo à frente
Uma fenda numa rocha
Com um lago reluzente
Onde há cristais encrustados
De brilho fluorescente

Voltando-se para a clareira
Saltam lebres pequeninas
Sobre as pedras espaçadas
Mariposas dançarinas
Voam rumo à claridade
Como fossem querubinas

Nesgas de luz perpassam
a densa copa folhosa
de uma árvore gigante
que ostenta, muito orgulhosa
um tronco robusto, enrugado
E de textura nodosa

Finos feixes luminosos
Focam trechos da paisagem
Iluminam joaninhas
que repousam na folhagem
e besouros cintilantes
que também pedem passagem

Cogumelos espalhados
Com texturas tão sortidas
De alturas variadas
E com formas divertidas
Crescem nos troncos e pedras
e por entre as margaridas

A beleza deste quadro
Lhe traz certa calmaria
Despeça-se desta cena
E dos versos da poesia
Retorne, porém sem pressa
Sentindo a sinestesia

Abra os olhos, rememore
Este lugar tão secreto
Volte sempre que quiser
Com passaporte direto
Para acalmar sua mente
ou coração inquieto

Que a poesia ao sonho embale
E o verso possa ecoar
Preenchendo o coração
De quem deixou-se levar
Pelo emanar das palavras
Do Cordel pra Meditar.

Por Mari Bigio

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A Lenda da Calunga em Cordel

Capa por Murilo Silva

Era uma certa vez
Uma bonita princesa
Filha de um Rei corajoso
E digno da realeza
Sua mãe, uma Rainha
Também cheia de beleza!

Seu pai tinha uma certeza
Sua filha preciosa
Tinha nos olhos magia
Magia bem poderosa!
De transformar o que é triste
Em coisa maravilhosa

A tal princesa formosa
Na Natureza vivia
Brincava com passarinhos
Com flores se divertia
O rugido do Leão
Era pra ela canção
Carregada de energia

A menina todo dia
Punha seu belo vestido
Com brilho e bastante cor
Laço de fita e tecido
Ouvindo som de tambor
Dançava cheia de amor
Seu batuque preferido

O tum-­‐tum-­‐tum era ouvido
Sempre nos dias de festa
Quando nascia um bebê
Ou pros deuses da floresta
E até quando alguém morria
Pois todo mundo sabia
Que o Céu é o que nos resta

Com a coroa na testa
A princesa se deitou
Acordou com gritaria
De salto se levantou
Fogo queimava na mata
Logo, logo se alastrou

Lá de longe ela avistou
Seu povo sendo refém
Até o Rei fora preso
Não restaria ninguém
Ela então saiu correndo
E foi logo se escondendo
Pra não ser presa também

Em Navios, muito além
Lá na praia ancorados
O seu povo, a sua corte
E seus pais foram levados
Sumiram no horizonte
E lá do alto do monte
Muito choro derramado

Com o coração apertado
A princesa foi à mata
E pediu para morrer
Pois a saudade maltrata
Com duas mãos agarrada
Numa árvore sagrada

Chorou lágrimas de prata
E a magia foi exata
Do jeito que o Rei falou
Quando a lágrima caiu
E solo se encharcou
A árvore abriu a boca
E com voz rouca falou:

“O teu pai te abençoou
Tens a magia divina
Se hoje você chorou
Não vais mais chorar, menina!

E um dia tua sina
É viver um carnaval
A potência feminina
Vai enfrentar todo mal!

Serás Calunga real
Uma boneca encantada
O cortejo imperial
Fará pra ti batucada!”

Ê calunga, minha princesa A boneca levantada
Ê Calunga, minha princesa Coroando a Batucada

E o batuque que a princesa
Se alegrava ao escutar
Tocou forte no seu peito
Fazendo o choro parar
A tristeza foi embora
E a alegria agora
Chegava para ficar

Começou se transformar
Numa boneca de cera
Calunga negra e bonita
Também feita de madeira
Que até hoje é levantada
Vem reinando a batucada
E da corte é a primeira!

Do dia de Zé Pereira
Até o fim da folia
Quando tem Maracatu
Alfaias em euforia
Lá vem aquela princesa
Que não perde a realeza
E nos enche de alegria

O ritmo contagia
Faz todo mundo dançar
Maracatu vem de África
Veio nas ondas do mar
Princesa virou Rainha
E a sua alma inteirinha
Vive a sorrir e cantar

Ê calunga, minha princesa….

Por Mari Bigio

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João Grilo e Chicó

Mentira tem perna curta
Não devemos mentir não!
Sempre que a gente mente
Vira a maior confusão
Vou contar-lhes uma história
De Chicó e de João….

Joao Grilo era um menino
Franzino como ele só
Chicó o seu grande amigo
Mentia que dava nó
O Grilo sempre ajudava
E a mentira acobertava
Pois sentia muito dó

Um belo dia Chicó
Chegou com conversa ruim
Como era de costume
Os causos do jovenzin
Sempre acabam com “num sei,
eu só sei que foi assim”

Ele contou que sabia
Falar o melhor Latim
Contou história da Bíblia
Falou de Abel e Caim
“Onde tu aprendeu?” – “Num sei
eu só sei que foi assim”

“Eu já corri essas terras
Atrás de um alecrim
Encontrei um reluzente
Feito de ouro purin”
O povo disse: “valei!
E cadê então?” – “Num sei
eu só sei que foi assim”

O povo desconfiado
E Chicó feito arlequim
Igual um bobo da corte
Dizendo graça sem fim
E pra tudo era “num sei
eu só sei que foi assim”

João grilo quase pula
Pra se safar de finin
Pois viu que pro lado deles
A coisa já tava ruim
De novo Chicó “num sei
eu só sei que foi assim!”

“Conheci uma princesa
Formosa feito um jasmim
Perguntou se eu era príncipe
E se apaixonou por mim”
“E cadê ela?” – “Num sei
eu só sei que foi assim”

Alguém do povo lembrou
Que Chicó tava devendo
“Pague logo meu dinheiro
pode ir me devolvendo”
E João Grilo perguntou:
“O que está acontecendo?”

O homem disse: “Chicó
disse que eu ficava rico
se dinheiro lhe emprestasse
que só precisava um tico
que ele ia transformar
os cifrões multiplicar
eita ideia de jirico!”

João pediu emprestado
E ali pegou uma nota
Desenhou em cima dela
Tramou mais uma lorota
Entregou-lhe o dinheiro:
“Toma aqui, seu pirangueiro!”
E causou-se a revolta!

A nota era de um real
Grilo desenhou três zeros
Mudou o nome pra mil
Pense num lero-lero!
O homem se enfureceu
E atrás dos dois correu
Foi pernas pra quê te quero!

Em um outro vilarejo
Pras bandas do sertãozin
Chicó narrou: “eu já vi
o dia que um realzin
virou mil, que eu contei”
“Mostre a gente!” – “Eu num sei,
eu só sei que foi assim!”

Viviam Grilo e Chicó
Rodando o mundo inteirin
Muita gente via graça
Ria mesmo achando ruim
E essa história que criei
Se foi verdade… num sei,
Eu só sei que foi assim!

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Cordel para Meditar – Banho de Cachoeira

Te convido a escutar
A beleza da poesia
Do encontro entre as palavras
Com encanto e a magia
Feche os olhos e desfrute
Qual fosse uma melodia…

Sente ou deite, confortável
Respire profundamente
Inspire puxando o ar
Solte vagarosamente
Deixe que o ar penetre
E repouse a sua mente

Inspire como quem sente
Um balão se encher de ar
Expire como se fosse
Ao balão esvaziar
Deixe que o ar preencha
Ocupando o seu lugar

Comece a imaginar
Um rio, desde a nascente
Um fino fio de água
Que brota timidamente
Como lágrima da terra
Vai jorrando, displicente

O fio seguindo em frente
Cada vez mais encorpado
Vai virando um riachinho
No terreno acidentado
Há muitas plantas nas margens
O Sol deixa o ar dourado

Vai ficando acelerado
Com uma certa correnteza
As margens já mais distantes
Têm florestas, que riqueza!
São árvores bem frondosas
Carregadas de beleza

O cheiro é de natureza
Aquele cheiro molhado
De terra úmida e fresca
De mato aromatizado
O barulhinho da água
Toca no rio encantado

Alguns bichos, com cuidado
Bebem água na beirada
Alguns peixes nadam breves
Nesta água adocicada
Que vai ficando mais densa
E bem mais aprofundada

Muitas pedras reveladas
Um abismo se aproxima
O som fica mais potente
O Sol à pino de cima
Eis que surge a queda-d’água
Completando a obra-prima

A água cai, lá de cima
Com força e voracidade
É uma linda cachoeira..
Por conta da claridade
Um arco-íris se forma
Num prisma de majestade

As gotículas, em verdade
Parecem denso vapor
Recaindo sobre as folhas
Amenizando o calor
Refletindo a luz solar
Revelando cada cor…

Depois do enorme furor
Do rio que fez o salto
Uma bacia de água
Recebe o que vem do alto
Tem pureza cristalina
Que nestas rimas ressalto

Uma garça vem, de assalto
E leva um peixe no bico
Ouvimos na mata, ao longe
O assovio de um mico
Minúsculas rãs coloridas
Sobre as pedras… limo e visco

Tal cenário belo e rico
Pede um mergulho profundo
Vá descendo e aproveite
Toque a lama, lá no fundo
E ao voltar à superfície
Abra os olhos num segundo

Este momento fecundo
Foi bonito de sentir
Bem aos poucos, vá voltando
Respirando ao emergir
Sentindo seu corpo leve
Sentindo o sangue fluir

Você pôde usufruir
Do rio que corta os vales
Em seu leito vá boiando
Depois levante e se instale
Na margem, na calmaria
Seque ao calor do dia
E deixe que o rio fale


Que a poesia ao sonho embale
E o verso possa ecoar
Preenchendo o coração
De quem deixou-se levar
Pelo fluir das palavras
Do Cordel pra Meditar.

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Amor Gigante – O Noivado do Menino da Tarde com A Vaidosa

E num é que eu fui convidada para celebrar o noivado de dois Bonecos Gigantes de Olinda? Pense numa honra… enoooorme! Lógico que escrevi o texto da cerimônia todo em cordel… viva os noivos!

Com licença minha gente
Permitam me apresentar
Eu me chamo Mari Bigio
Sobrenome de além-mar
Nasci pra contar histórias
Inventadas ou memórias
Da Poesia Popular

Hoje quero destacar
Honraria sem igual
De estar festejando o Frevo
Em seu Dia Nacional
E o peito chega estufado
De celebrar um noivado
Pra lá de fenomenal!

E o mais sensacional
Neste espaço de Magia:
Sublime Paço do Frevo!
Vou usar da poesia
Pois farei tudo em Cordel
Cumprindo assim meu papel
De versejar alegria

Sentimento de euforia
Como fosse carnaval
Nos toma no entardecer
Deste dia passional
Vou contar a breve história
E resgatar a memória
De um encontro magistral

Ele é herdeiro legal
De uma entidade sagrada
Do Homem da Meia-Noite
Rei da cidade encantada
Nosso Calunga Gigante
Dos bonecos comandante
Da Olinda abençoada

E da sua enamorada
De chiqueza e maestria
A mãe do noivo é somente
A diva Mulher do Dia
Eis o Menino da Tarde
Batam palmas com alarde
Que o noivo tem fidalguia!

Este príncipe da folia
Ernane Lopes criou
Pra construir o boneco
Sivlio Botelho aliou
Talento, imaginação
Recriando a tradição
Que a gente reverencia

E este noivo, quem diria
Mesmo assim sendo menino
Tem quase cinquenta anos
Com o rosto liso e fino
E com seu fraque tão raro
Agita o Largo do Amparo
No período vespertino

Pois assim quis o destino:
Paquera entre as ladeiras
E o Menino apaixonou-se
Dessas paixões bem certeiras
A Vaidosa lá no alto
Uma gigante de salto
Entre as copas das mangueiras

Nestas rimas lisonjeiras
Da noiva já vou falar
Edimilson Nascimento
Criou para desfilar
Esta boneca estilosa
Aplausos para A Vaidosa
A noiva espetacular!

Há pérolas no seu colar
E o sorriso contagia
Usa piercing no umbigo
Tem a silhueta esguia
De fibra… de vidro feita
Ela só não é perfeita
Pois já não existiria

A Vaidosa se recria
Mestre Camarão assina
Representa a liberdade
E a potência feminina
E nossos múltiplos dons
Mechas em diversos tons
Ousadia que fascina

É da cintura pra cima
Que eles chamam atenção
Mas um gigante só vive
Com alguém na condução
Pois mesmo os seus condutores
Perceberam os tremores
Daquela enorme atração

E os pés saltaram do chão
Em tesoura e dobradiça
Parafuso e o ferrolho
Que à circulação atiça
As mãos girando e rodando
Os dois enormes dançando
[Ferver tem essa premissa]

O Coração quase enguiça
Quando o olhar sedutor
Que o Menino lhe lançou
A fez sentir um torpor
A Vaidosa, de repente
Viu brotar uma semente
A raiz de um grande amor

Em meio a este furor
Que nos deu de pronto a pista
Ficou evidente o flerte
E um clima de conquista
Entre os nossos dois gigantes
De corações palpitantes
E um desejo otimista

Paixão à primeira vista
Para sempre nos lembrar
Que o afeto é o sentimento
Que é capaz de nos salvar
Do tal ódio intolerante
Que todo amor é gigante
Qual toda forma de amar!

Quando em Olinda chegar
O dia do casamento
Já tem buquê pra levar
Com a bênção e unguento
Do nosso Bloco das Flores
Que engrandece com louvores
Este fabuloso evento

E assim, neste momento
Outras bênçãos agradeço
Maestros Carlos e Oséas
Grandes mestres que enalteço
E às troças e seus brincantes
São por demais importantes
Nestes versos reconheço

E eu também não me esqueço
De evocar todo o sagrado
Energias, entidades
Pra abençoar o noivado
Em pleno Recife Antigo
Que Gigante pede abrigo
Num pé de verso rimado

Que o Amor aqui celebrado
Nos sirva de inspiração
Quando o Menino da Tarde
Ficou noivo em união
Com a vibrante Vaidosa
E a poesia fez a prosa
Com candência de canção

Que esta comemoração
De afeto em alto relevo
Seja o ecoar de um Clarim
Bravo, sonoro e longevo
Um viva ao amor Gigante
Viva o folião brincante!
Viva o Carnaval e o Frevo!

Por Mari Bigio, Setembro de 2025



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O Vale dos Dinossauros nas Veredas do Sertão

Em Sousa na Paraíba
Bem no Sertão Nordestino
Há um Sítio Arqueológico
Debaixo do Sol à pino
Com gigantescas pegadas
Por dinossauros deixadas
Os Jurássicos inquilinos…

Várias espécies de Dinos
Passearam no Sertão
Isso foi há muito tempo
Bem antes de Lampião!
Milhões de anos atrás
Hoje não vivem mais
Pois entraram em extinção

Mas houve uma ocasião
Há alguns anos passados
Antes de alguém estudar
Os vestígios encontrados
Que naquela região 
Um caso de assombração
Deixou todos alarmados!

O mistério foi lançado
Numa noite de luar
Enquanto o povo dormia
O chão pareceu vibrar
Era como se um gigante 
De passo nada elegante
Quisesse se aproximar

Quem não queria escutar
Sentia a terra tremer!
A cada passo que o monstro
Parecia percorrer
As louças todas quebravam
As panelas despencavam
Era grande o seu poder!

Quando o Sol vinha nascer
Na feira da região
Não falavam de outra coisa
Que não fosse a assombração
Uma criança apontou:
“Olha o Boi que ele matou!”
Tava feita a confusão!

Estirada pelo chão
Encontrava-se a carcaça
De um Boi que era valente
Mas que à noite virou caça
Da fera misteriosa
Certamente monstruosa
De desconhecida raça

Piorou toda a desgraça
Quando viram as pegadas
Que pelo monstro assombroso
Teriam sido deixadas
O Padre foi convidado
E no buraco pisado
Água Benta derramada!

Uma mocinha intrigada
Passou toda a noite em claro
A menina Teodora
Pra aventura tinha faro
Depois de uma longa espera
Sentiu os passos da fera
Saiu sem nenhum amparo

No céu um Luar tão raro
Como há muito não se via
E Teodora adentrou
Num espaço de magia
Pois a noite do Sertão
É uma outra dimensão
Carregada de energia…

A menina se escondia
Entra as plantas se esgueirava
Foi quando sentiu enfim
Que o monstro se aproximava
Quase lhe faltou coragem
Quando o bicho abriu passagem
Ela mal acreditava!

O monstrengo passeava
Pisando a mesma pegada
Que ali bem naquele chão 
Havia sido deixada
Suas patas encaixavam
Nas marcas que ali estavam
Numa rota compassada

Era a assustadora ossada
De um bicho que foi extinto!
Esqueleto gigantesco
De um Dinossauro faminto
Talvez um Tiranossauro
Mais feroz que o Minotauro
A julgar por seu instinto!

A Caatinga é labirinto
E a menina viu-se presa
Tentou achar a saída
Mas já não tinha certeza
Num gravetinho pisou
O Dinossauro escutou
E virou-se com brabeza!

Teodora com destreza
Correu com velocidade
O esqueleto a perseguia
Com muita voracidade
E Teodora ofegante
Se esquivava do gigante
Com todo esforço e vontade

Pra sua felicidade
O monstro se atrapalhou
Pisou fora das pegadas
E se desequilibrou
A queda foi estrondosa
E aquela ossada horrorosa
De pronto se desmontou!

O encantamento quebrou
O esqueleto virou pó
Teodora foi dormir
Co’ a cabeça dando nó
Não sabia se foi sonho
O Dinossauro medonho
Que encontrou estando só

De manhã, um quiproquó
Tomou conta do lugar
“Será que foi terremoto”
Um se pôs a perguntar
O estrondo da madrugada
Maior que noite passada
Tinha dado o que falar!

Teodora foi buscar
Uma pista no local
Do encontro com a fera
Que quase lhe fez um mal
Procurava novidade
Provando a realidade
De algo sobrenatural

Na pegada colossal
Percebeu rastro recente
Tocou dentro do buraco
O solo ‘inda úmido e quente
E para sua surpresa
Quando olhou com mais clareza
Avistou um grande dente!

Teodora estava crente!
Realmente aconteceu!
Não foi só um pesadelo
De quem logo adormeceu
Do dente fez um colar
Então resolveu guardar
Como um amuleto seu

A menininha cresceu
Se formou pesquisadora
Mas não conta pra ninguém
Sobre a noite assustadora
Em que a ossada ambulante
A perseguiu vacilante
Com ânsia devoradora
Teodora exploradora

Voltou à terra natal
Hoje estuda as tais pegadas
Do dinossauro ancestral
Que a Terra não mais habita
Mas lhe fez uma visita
De maneira surreal!

O encontro fenomenal
Parece coisa impossível
Mas quem viveu essas noites
Sentindo o tremor terrível
Do monstro da pré-história
Guarda como notória
A lembrança inesquecível!

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O pequeno espantalho e a boneca de pano

Vi mocinha, não me esqueço
Papai voltando da roça
Com as espigas furadas
Pendendo de uma carroça
– Ái que essa passarada
tá comilona e danada
e assim não há quem possa!


Ele exclamou: – Minha Nossa!
quase que não sobra nada!
bicaram meu milharal
partiram em revoada
valei-me meu São João
vou mudar a plantação
pro outro lado da estrada!

E eu fiquei preocupada
Me vi querendo ajudar
Foi quando tive uma ideia
Fui depressa executar
Fui fazer um espantalho
Com palha, tecido e galho
Estopa pra completar

Antes de finalizar
Já fiquei desanimada
– Um boneco assim, pequeno
não vai servir para nada!

Meu irmão disse, bem chato
Mas o seu dito era um fato
E ouvindo fiquei calada

Terminei minha empreitada
Fiz a boca com a linha
Coloquei um chapéuzinho
Decorado com florzinha
Uma camisa xadrez
Imaginem só, vocês
Que coisa mais bonitinha!

Pois pra roça ele não foi
Não teria serventia
Olhei pra ele tristonha
Deu trabalho, quem diria
Não queria botar fora
Foi aí, que nessa hora
Ouvi uma gritaria…

– Não joga fora, Maria!
Minha priminha berrava.
– Esse bonequinho lindo!
A pequena se agitava
– Pra ele eu já tenho um plano
minha Boneca de Pano
há muito um par precisava

E a bonequinha trajava
Um belo laço de fita
Um vestidinho estampado
Todo feito com a chita
Com coração de algodão
Fora costurada à mão
Era simples e bonita

E a pequena disse aflita:
– Nunca achei um par decente
os bonecos dos heróis
não servem pra pretendente
não são nada maleáveis
fortalhões irresponsáveis
rijos excessivamente

e não acho pertinente
os bonecos de sucata
costumam enferrujar
se forem feitos de lata
reciclados noutra peça
pra brincar é bom à beça
mas preciso ser sensata


minha boneca é a nata
de um antiga tradição
foi feita por nossa avó
preciso ter atenção
esse espantalho é perfeito
pois vejo, que pelo jeito
foi feito com o coração


você pôs dedicação
produziu com maestria
pensou que esse miudinho
a colheita salvaria
foi nobre a sua intenção
e peço a sua benção
pr’essa união de alegria!

Foi assim, naquele dia
Que um ofício conheci:
Eu me formei bonequeira!
Nunca mais eu esqueci
Do espantalho pequeno
Com seu semblante sereno
Que com carinho cerzi

Não acaba por aqui
Pois também sou costureira
Fiz o véuzinho de noiva
Da bonequinha faceira
Que era feita de pano
Depois que passou um ano
Minha fama foi certeira

E assim a cidade inteira
Me encomendava vestidos
Casei bonecas e gente
Cortei panos bem cumpridos
Fui tecendo a minha lida
E hoje sou feliz da vida
E ainda atendo pedidos

Meus primos todos crescidos
Brinquedos encaixotados
Mas a boneca de pano
E o espantalho adorado
Minha prima pôs no altar
Pra gente sempre lembrar:
O amor é um lindo bordado! 

Mari Bigio, Março de 2025
 


Para casar com o texto ouça a canção “A Moda da Boneca de Pano”, de Mari Bigio:

https://www.youtube.com/watch?v=MEtxuYLQtGI


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Amor Sem Hora – Miniconto

“Era uma vez um Senhora, que acordava muito, muito cedo. Tão cedo, mas tão cedo, que chegava a ser antes da alvorada.

Era uma vez um Senhor, que dormiu muito, muito tarde. Tão tarde, mas tão tarde, que chegava a ser de madrugada.

Certa vez a Senhora despertou e logo saiu para uma caminhada… e o Senhor, sem sono, ainda perambulava…

Pois… se encontraram os dois, no lusco-fusco do dia, bem no meio da estrada!

E descobriram que o amor desconhece cedo ou tarde, e que acontece, sem hora marcada.”

Mari Bigio, junho de 2023.

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A Família Addams em Cordel

Ilustração por Murilo Silva – Todos os Direitos Reservados

Uma família macabra
Hoje o Cordel vem trazer
Famosa no mundo todo
Você deve conhecer
Com seus membros, tão sinistros
Família Addams, prazer!

A Vovó Addams é bruxa
Que adora fazer poções
Pode prever o futuro
Com suas premonições
Lutar contra crocodilos?
A melhor das diversões!

Gomez Addams é seu filho
Que nutre um imenso amor
Por sua esposa, Mortícia
Um excêntrico senhor
Sempre elegante, de terno
Empresário promissor

Mortícia é a matriarca
Sempre pálida e tão fria!
Com vestido longo e preto
Sua silhueta esguia
Cuida de plantas carnívoras
Bastante afeita à magia

Ela é a mãe de Wandinha
Uma menina sombria
Inteligente e tão mórbida
Nunca demonstra alegria
Seu aliado Mãozinha
É quem lhe faz companhia

Mãozinha serve à família
De forma tão dedicada
Nada mais é que uma mão
Sem o corpo, decepada
Que dorme numa caixinha
E é todinha costurada

Wandinha tem um irmão
A quem chamam de Feioso
Tem gosto peculiar
Pelo que é perigoso
Brincando com dinamites
E com bicho venenoso!

Tio Chico é uma figura!
Tem poder eletrizante
Irmão mais velho de Gomez
Pra quem é tão importante
Dessa família maluca
Ele é mais um integrante

Tropeço, o fiel mordomo
Com seu jeito monstruoso
Mais parece o Frankenstein
É quieto, afetuoso…
Um salve a Família Addams
Esse grupo tenebroso!





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Carnaval da Bicharada – Cordel para a criançada

Quer ver festa de verdade?
Carnaval da Bicharada!
É zebra que se disfarça
Deixando de ser listrada
De bolinha, branca e preta
Parece a onça, pintada!

Cada qual faz o que quer
A onça, por sua vez
Troca a pele de bolinhas
Por uma toda xadrez!
Pense numa confusão!
Lá ninguém tem timidez!

Desfile de fantasia?
A floresta é o salão
Quem é o apresentador?
É Claro que é o Leão!
Troféu em forma de bicho:
O Troféu Camaleão!

O Macaco veste juba
E ensaia um forte rugido
Girafa de dinossauro
Daquele que é bem comprido
Todo bicho quer destaque
Também quer ser aplaudido

A cobra de centopeia
Cem perninhas penduradas!
Abelhas são borboletas
Com suas asas trocadas
Marreco virou flamingo
Com patas bem alongadas!

No desfile deste ano
Deu empate, o resultado:
Jaboti de Joaninha
Pense num bicho engraçado!
E o cavalo de unicórnio
Algo muito bem pensado!

Quer ver festa de verdade?
Carnaval da bicharada!
Tem muita dança, alegria
Comida e muita risada
Fantasias divertidas

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