Dolorido.

Evangelho de João (Maria, José, Ana, Francisco…)

 

Aquele que nunca sofreu

que ature a primeira perda.

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Melancolia (pré-carnavalesca???)

As plantas de um vasinho miúdo
respiram quietas ao meu lado.
Não há mais vida na sala
a não ser eu
e as plantinhas nesse vaso miúdo.
O vento as balança e me carinha,
devagar.
Olho as paredes nuas e penso nos quadros
que poderiam estar lá.
Fotografias da família,
ou talvez uma pintura de outras plantas
em seus vasinhos.
Eu poderia ter colorido essa minha parede
vazia.
Jazia dentro de mim uma saudade diáfana.
Saudade mesmo das imagens,
dos rostos que eu não queria esquecer.
O Sol entrou, depois do vento, e iluminou a parede
branca, lisa,
ainda vazia.
Fazia tempo que eu não me sentia assim.Vou pendurar a natureza morta na parede.
As pessoas amadas que se foram e outras flores inertes.
Ainda que as cores sejam frias, serão, ainda, e sempre, cores.
Ainda que a morte fria esfacele a vida, terá sido, ainda, e sempre, vida.
E o amor?
O Amor não adormece,
tal como o Sol,
nem se despede,
assim, feito o vento.
Sem pedir licença ele nos toca,
e ilumina a alma
outrora vazia.

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Nem Nada

 

 

A medida que nem tudo que parece é

nem tudo que perece era

Ao passo que nenhum peito é só amor

Nenhuma carne é só desejo

Nem tudo fora é despejo

Nem toda pressa é vontade

Nem toda prece é de fé

Nem toda hora é hora

Nem toda espera demora

Nem todo quase

é mais que a metade…

 

E nunca

(eu disse nunca)

Nada é sempre tudo verdade.

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Sóbrioevivo

somente uma arma será útil

(ante tão sofrível existência)

a nos manter de pé por sobre Terra

mais que a gravidade: a insistência.

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FreePorto nº11 #FreeMobile

A FreePorto, como o nome já anuncia – ou denuncia – é uma festa livre. Surgiu em 2009 para chacoalhar o cenário elitista das Festas Literárias, as Fli’s do Brasil. Em 2011, a FreePorto, concebida pelo grupo de escritores Pernambucanos “Urros Masculinos”, virou de todo mundo e de qualquer um que quisesse “fazer sua própria Festa Literária”.  Vários grupos e pessoas fizeram eventos e intervenções de diversas naturezas e chamaram-nas de FreePorto. A minha, foi Décima Primeira FreePorto, a #FreeMobile, que consistiu em enviar torpedos poéticos via celular para meus contatos e para os contatos de meus contatos. 4 poemetos foram eleitos e enviados para cerca de 120 pessoas da minha agenda telefônica. Amig@s de São Paulo, Rio de Janeiro, João Pessoa e Irlanda receberam os poemas e, assim, participaram da minha/nossa festa. Dois amigos, em especial, ampliaram esta FreeMobile: Jaime (José Jaime Júnior), que encaminhou o poema recebido para seus 112 contatos, e Biagio Pecorelli, também poeta, que criou mais um poemeto e enviou para alguns amigos, inclusive pra mim. Além disso, publiquei no facebook a ideia da FreeMobile e sugeri que quem quisesse receber, ou quisesse indicar amigos para receber os poemas, que enviasse seu número para mim, até o dia 11.11.11, quando se encerrou a minha FreePorto. Algumas pessoas o fizeram, e, ao final do prazo estabelecido, estimo que cerca de 300 pessoas tenham participado da FreePorto 11, a #FreeMobile!

Para saber mais sobre a FreePorto acesse: http://freeporto.wordpress.com/

 

 

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Cordel ao Pé do Ouvido à venda na internet!

Querid@s, o CD Cordel ao Pé do Ouvido está disponível para compra on line no site ONErpm. É só entrar no site, se cadastrar e comprar! É simples, rápido e seguro! As vantagens são: poder ouvir as faixas na íntegra; poder selecionar que faixas comprar; pagar mais barato pelo CD!!!

Acessem, comprem e divulguem, por favor!

Cordel ao Pé do Ouvido – à venda na internet!

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Cordel Umbilical

 

Meu poema vem da tripa
vem de dentro, visceral
quando o verso se emancipa
sinto dor descomunal
misto de choro e prazer
um calor que faz ferver
é uma bala que engatilho
que por dentro me corrói
tanto é gozo quanto dói
é como parir um filho.

 

Mariane Bigio

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Da Palavra

Uma vez perguntei – tive a honra – pra Viviane Mosé : Por que que a gente fala tanto da palavra, da poesia em si e do ato de escrever? Por que tanto metapoema? Ela disse que é isso mesmo, poeta, escritor, tem dessas coisas, de falar sobre seu ofício, que é sua vida e pronto.

Aqui vai uma série de metapoemas metidinhos a “grands coisa”.

pra começar, um aviso:

Palavras soltas ao vento

mas que besteira

faço poesia

e não poeira.

e agora, sobre inspiração (embora eu acredite também na transpiração):

engraçada essa coisa de inspiração

– instantânea –

ontem

dispersa

rabisquei em qualquer canto

na pressa

não notei…

escrevia no verso

d’um poema já impresso

ou melhor, expresso.

um verso avesso do outro.

é como a poesia me é, agora:

de todos os lados de mim.

_____

Yoga

(puxa bem forte pra dentro do peito

e solta pela boca)

inspira

expira

mais uma vez:

inspira

expira

de novo:

inspira

expira

novamente:

inspira

expira

é uma verdadeira yoga,

essa coisa de fazer poema.

é isto, desisto:

há muito desisti da palavra

expressar o que sinto

minto:

resisti à palavra

incrédula, desconfiei de seu poder

de seu potencial

enfim, revesti a palavra.

nova, recosturada

me vesti da palavra

escrevi, escrevi.

e assim

sucumbi à palavra.

quando, por fim, entendi, 

eu era a palavra

me apaguei.

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Arte?

Uma aula sobre História da Arte – na disciplina de Arte na Contemporaneidade – me rendeu inspiração.

Dois haikais e um poemeto. Sei nem se prestam, melhor postar antes de um possível arrependimento.

Exercício 1 – Olhos sobre tê-la

A musa recusou

O artista reclusou

 

Luminoterapia

apagou (a luz)

sorriu

e gozou n@ pret@

 

Eu fico impressionista

pinceladas

pixeladas

impressionada:

diante do tema

coisa

gente

ninguém mais

sente mais

nada

 

 

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Para a Criançada – João Pedro e o Saci


para Jota 


João Pedro estava em casa

Quando ouviu vovó gritar:

“Eita que o feijão queimou,

Não vai ter pra almoçar…

Isso é coisa de Saci

Que adora amolar!”

Que danado é Saci?

Perguntou o menininho

A vó logo respondeu:

O Saci é um negrinho

Que tem uma perna só

E vem num redemoinho…

João escutava atento

Àquela explicação

E vovó continuou

Sem lembrar-se do feijão:

“Ele fuma um cachimbo

Que fede que só o cão!”

“Usa um gorro vermelho

E gosta de aprontar

Gosta de esconder as coisas

E fazer feijão queimar

Ô Saci danado e ruim

Eu inda vou te pegar!”

“Mas vovó, por que saci

Só tem uma perna só?”

“Dizem, foi na capoeira

Que o negrinho deu um nó

E ficou sem sua perna

Mas não sentiu nem um dó”

“E comé que a gente faz

Pro Saci não mais voltar?”

“Se vir um redemoinho

É correr pra apanhar

Uma peneira em casa

Para no saci jogar”

“Depois de ter feito isso

Veja só comé que faz:

Você pega uma garrafa

Uma só, e nada mais

Mas ela precisa ter tampa

Pega o saci e zás!”

Nessa hora João Pedro

Avistou o malvadinho

Vinha como a vovó disse

Rodando em redemoinho

Ele pegou a peneira:

“pego já esse negrinho!”

Deu-lhe uma peneirada

Que o saci nem se mexeu

Pegou a maior garrafa

E o tal saci prendeu

O bichinho balançou

Mas logo, logo cedeu .

“Viva, viva o meu netinho!”

Disse a vó com alegria

O feijão não mais queimou

A partir daquele dia

João Pedro, corajoso

Conseguiu o que queria

Jogou a garrafa longe

E o saci não mais voltou

Tudo ficou bem tranqüilo

Só a paz ali reinou

Foi assim que, finalmente,

A história terminou.

***

Cordel feito em 2010 em homenagem ao meu Irmão, João Pedro, hoje com 9 anos, meu maior crítico literário para temas infantis. Nele também lembro a figura da nossa avó, Dorina, cozinheira de mão cheia, carioca da gema, que faz o melhor feijão preto da redondeza. A primeira edição está esgotada… O cordelzinho continha, além dos versos, figuras vazadas para que as crianças pudessem se divertir também pintando. Salve a Cultura Popular e a Literatura de Cordel, que resiste aos tempos, graças a renovação do público leitor!

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