Sombras e Assombros em Cordel

Xilos Sombras e Assombros – Por Thiago Lyra

Alguém já se arrepiou
ao ver um vulto ligeiro
passando do outro lado
do quarto para o banheiro?

Sentiu frio na barriga
quando um barulhinho ouviu?
Será bicho, será monstro…
um fantasma que surgiu?

As lendas assustadoras
nós iremos conhecer
quero ver que adivinha
quem será que vai saber?

Por entre Sombras e Assombros
personagens vão surgir
com versinhos e as rimas
ajudando a descobrir!

Papa-Figo

Velho doente e corcunda
pele amarela, feridas
orelhas grandes, pontudas
unhas bastante compridas
um saco de estopa carrega
se vacilar ele pega
criancinhas distraídas…

Nego d’água

É criatura robusta
com sua pele escamosa
com seus dentes afiados
e gargalhada horrorosa
mora nas profundezas
no rio faz correntezas
traiçoeiras, desastrosas….

Fulozinha

Uma cabocla encantada
que protege a natureza
seus cabelos são cipós
que castigam com dureza
quem maltratar a floresta
com fumo e mingau faz festa
responda se tem certeza!

A Mulher da Sombrinha

Ela é uma alma penada
por demais misteriosa
usa um vestido branco
vagando, tão assombrosa
a sombrinha esconde o rosto
o cemitério é seu posto
que moça mais tenebrosa!

Cabra-cabriola

De dia é bicho comum
mas de noite é assombrado
solta fogo pelos olhos
com focinho esfumaçado
o enxofre é seu fedor
quem mal-educado for
precisa tomar cuidado!

A Perna Cabeluda

Bem na calada da noite
no Recife, madrugada
cabeluda e fedorenta
ela aparece do nada
gosta de dar pontapé
quem já descobriu quem é?
esta assombração danada?

por Mari Bigio

O projeto Sombras & Assombros (@sombraseassombros) do designer pernambucano Thiago Lyra, apresenta lendas famosas em Pernambuco, através de um kit-livro com Teatro de Sombras. A partir dos personagens do kit (inspirados em xilogravuras!), escrevi esses versinhos em Cordel, para apresentá-los às crianças!

Silhuetas do Kit Sombras & Assombros – de Thiago Lyra
Publicado em Adivinhas em Cordel, CORDEL, Cordel para Crianças, folclore, mistério e assombração, Poesia Infantil | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

A História do Circo em Cordel

A história do Circo em Cordel

Caro e respeitável público
Nós já vamos começar!
O Cordel pede licença
Quer sobre o Circo contar
A maravilha da arte
Que no mundo, em qualquer parte
Sabe a todos encantar!

A sua origem remonta
Aos números de equitação
E lá no século dezoito
Na Inglaterra de então
Um militar reformado
Com seu cavalo treinado
Criou a exibição

Mudou o formato da pista
Pois o espaço circular
Facilita o movimento
Pro cavalo se amostrar
Cobrando ingressos na entrada
E o povo na arquibancada
Aplaudia sem parar

O tal Astley criou
(e funcionou de verdade)
Um novo tipo de show
Rodando várias cidades
E além da equitação
Botou na programação
Números de variedades

Mas se voltarmos mais longe
Na história da humanidade
No tempo dos Faraós
No Egito, na antiguidade
Números de força e destreza
E o equilíbrio, a proeza
Traziam felicidade

O público, a realeza
Todo mundo se encantava
Nas porcelanas chinesas
Esta cena se estampava
E mesmo na Antiga Grécia
A arte da peripécia
Aos poucos já se espalhava….

O nome Circo deriva
Do Circus Maximus de Roma
De antes mesmo de Cristo
Vem do Latim, o idioma
Uma Arena pra corridas
E outras coisas divertidas
Que muitos séculos já soma

E no Século dezenove
O tal Circo aqui chegou
O terreno era propício
Pelo Brasil se espalhou
A população Cigana
Que andava em caravana
Do Circo se apropriou

Mas foi só no século vinte
O auge do picadeiro
O Circo enfim conquistou
Plateias no mundo inteiro
Artistas, pra fazer fama
No canto ou no melodrama
Iam pro Circo primeiro

Os grandes grupos locais
Pelas famílias formados
Rodavam pelo país
Por todo canto aclamados
O Circo tradicional
Era um show sensacional
Com artistas estimados

O Circo então fez escola
Muitos artistas treinou
Mas com a televisão
Que se popularizou
O Circo e o seu fascínio
Aos poucos teve um declínio
Por pouco não desmontou

Também se atualizou
Não usa mais animais
Apenas a força humana
Com recursos visuais
Figurinos e cenário
Tradicional, visionário
Com enredos geniais


A Lona tem resistido
Quando se fura, remenda
O Circo é lugar de arte
E de poesia tremenda
Com Palhaços, Trapezistas
Atores, Equilibristas
Uma junção estupenda

Eis que o Circo está na rede
Também na televisão
Mistura tantas linguagens
E vive a renovação
Mesmo em tempos adversos
Ocupa espaços diversos
Sobretudo o Coração!

Por Mari Bigio

Publicado em CORDEL, Cordel para Crianças, Poesia Infantil, Vídeos | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Clipe Infantil – Bode Julião – Cordéis e Canções para Pequeninos Corações

Clipe Infantil – Bode Julião

A canção Bode Julião é baseada numa história verdadeira, de um bodinho de estimação muito querido, divertido e cheio de personalidade! Ele partiu antes da hora, deixando muitas saudades. Essa música foi feita em sua homenagem , e também na intenção de abordar o tema da morte de forma leve e poética. A arte é um dos caminhos possíveis para ajudar as crianças a lidarem com emoções difíceis, perdas e frustrações. Adultos, ou melhor, crianças crescidas, também vão se emocionar com essa linda história em forma de canção!

Clipe da canção Bode Julião, de Mari Bigio, feito em pareceria com Anima Cordéis.

Composição e voz: Mari Bigio
Sanfona: Vinicius Nogal
Percussão: Milla Bigio
Baixo e Guitarra: Sam Nóbrega
Produção Musical: Sam Nóbrega
Gravação, Mixagem e Masterização: Castanha Estúdios
Animação: Ivan Augusto – Anima Cordéis

Do Álbum Cordéis e Canções para Pequeninos Corações, Mari Bigio, 2022.

Bode Julião (Mari Bigio)

Lá no Sítio de vovô
Tinha sapo e lagartixa
Tinha vaca, tinha porco
E um bode de barbicha

Tinha vaca, tinha porco
E um bode de barbicha

Era um bode diferente
Se portava como um cão
Batizei esse bodinho
O seu nome Julião

Batizei esse bodinho
O seu nome Julião

(Refrão)
Ái que saudade
Que saudade bate no meu coração
Ái que saudade
Que saudade do meu Bode Julião
(2x)

Lá no Sítio de Vovô
Um barreiro de água fria
E o bode na porteira
Trabalhando de vigia

E o bode na porteira
Trabalhando de vigia

Com um chocalho no pescoço
Avisava ao chegar perto
Dava um salto sobre o muro
Pra dizer “tá tudo certo”

Dava um salto sobre o muro
Pra dizer tá “tudo certo”

(Refrão) (2x)

Lá no Sítio de Vovô
Acendi uma fogueira
Pra lembrar de Julião
Meu bodinho de primeira

Julião tá lá no céu
Julião virou estrela…

(Refrão)
Ái que saudade
Que saudade bate no meu coração
Ái que saudade
Que saudade do meu Bode Julião
(2x)

Publicado em Música, Música Infantil, Vídeos | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Cordéis e Canções para Pequeninos Corações – Para Colorir

Dia 18/04/22 tem lançamento do Álbum Cordéis e Canções para Pequeninos Corações, de Mari Bigio! Para vocês já irem sentindo o clima, estão disponíveis as ilustrações do Bode Julião, que dá nome a uma das faixas musicais do CD, e também o passarinho, que remete às Adivinhas Passarinhas, uma das faixas em cordel do CD. Podem baixar, imprimir e se divertir! As Ilustrações são de Ivan Augusto – Anima Cordéis.

Não esquece de já fazer o pré-save do CD AQUI

E se inscrever no canal de Mari Bigio no Spotify também.

Bode Julião, para colorir – Por Ivan Augusto – Anima Cordéis
Passarinho, para colorir – Por Ivan Augusto – Anima Cordéis
Publicado em CORDEL, Cordel para Crianças, Música, Música Infantil, Para Colorir | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Cordel Animado – Para Colorir

Como parte das celebrações dos 10 anos do Cordel Animado (que soprou as velinhas em Março de 2022) o nosso parceiro Ivan Augusto, do Anima Cordéis, preparou nossas bonequinhas em preto e branco, para a criançada imprimir, colorir e se divertir!

Saiba mais sobre o Cordel Animado clicando AQUI

Assista aos vídeos comemorativos do Cordel Animado AQUI

Mari Bigio – para Colorir – por Ivan Augusto – Anima Cordéis

Milla Bigio – para Colorir – por Ivan Augusto – Anima Cordéis
Publicado em CORDEL, Cordel para Crianças, Para Colorir | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

A História da Perna Cabeluda em Cordel

Todos os Direitos Reservados

Saci perêrê já vi
Pular de uma perna só
Mas uma historia que ouvi
Fala em coisa bem pior!
“Criança muito abelhuda
chama a Perna Cabeluda”
Ralhou comigo a vovó!

A tal Perna Cabeluda
Era uma assombração
Que andava pelo Recife
E virou uma atração
O rádio noticiava
Todo mundo acreditava
Era grande a confusão!

Contaram que uma vez
Um rapaz que era vigia
Levou um chute da Perna
E viveu uma agonia
Foi parar no hospital
Sentiu dor e passou mal
Chamou Jesus e Maria…!

Uma perna sem o corpo
Mas que coisa tão estranha!
Ela era tão ligeira
De agilidade tamanha
Que ninguém lhe alcançava
A Perna sempre escapava
Tal era a sua façanha!

Fui pra cama aquela noite
Pensando na história antiga
E sentindo um desconforto
Como um frio na barriga
Minha vó me confessou
Ser mentira o que contou
Mas fiquei com a intriga….

Eu deitada, bem quieta
Fui começando a dormir
Então veio o pesadelo…
Quando meus olhos abri
Lá estava, bem graúda
A tal Perna Cabeluda
Da história que eu ouvi!!!

Eu estava lá sozinha
Sem ninguém pra ajudar
E na minha direção
Veio a Perna a pular
Eu sai dali correndo
Mas que pesadelo horrendo!
E comecei a gritar

E a Perna então parou
Ficou na ponta do pé
Foi aí que eu senti…
O fedor do seu chulé
No chão feito de areia
Escreveu com letra feia
Com seu dedo fez: “Pelé”

“Eu só posso estar sonhando!”
Eu pensei naquela hora
A Perna continuou
Que será que vem agora?
Desenhando com a sola
A perna fez uma bola
E eu disse: ora, ora!

Como em sonho pode tudo
Eu virei logo um goleiro
Vinda da imaginação
A bola chegou ligeiro
A Perna veio faceira
Botou tênis, caneleira
Deu um chute, bem certeiro!

Eu pulei gritando gooool!
A Perna comemorou
E aquela tabelinha
Muito tempo demorou
Foi desse jeito medonho
No mais esquisito sonho
Que a Perna se apresentou!

Eu contei pra minha avó
Assim que nasceu o sol
Ela ria de chorar
E dobrava o meu lençol
A tal Perna Cabeluda
Só queria mesmo ajuda
Pra jogar seu futebol!

por Mari Bigio

Publicado em CORDEL, folclore, mistério e assombração, Poesia Infantil, Vídeos | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

UM PASSEIO ECOLÓGICO PELO RECIFE

Assista agora o vídeo do Cordel Animado no Youtube!

“Eu convido o leitor
A comigo passear
Pelas ruas da cidade
Das mais belas que hoje há
Aprendendo sobre a fauna
E a flora deste lugar

Alguém pode questionar:
“Fauna? Flora? Como assim?”
Numa tão grande metrópole?
É verdade, creia sim!
Que a natureza resiste
Aqui no Recife enfim.

Veja a praia por exemplo
Que belezura este mar!
Aratus, Siris e peixes
Que habitam nesse lugar
Tem também os arrecifes
O tubarão a nadar…

Fora esse tubarão…
Ah! É muito bom curtir
Uma praia, um Solzinho
Mas antes, melhor ouvir:
Tudo isso permanece
Se a gente não poluir!

Não jogar lixo na água
Não jogar lixo n’areia
Coisa de gente educada
E que não faz coisa feia
…e se vir alguém sujando
Pegue esse cordel e leia!

Podemos continuar?
Adeus à praia então
Vamos agora ao mangue
Que do mar é o coração
Muitos bichos vêm aqui
Buscando a reprodução

Há conchas e caranguejos
Vegetação do alagado
Um lamaçal de riquezas
Muito daqui é tirado
E vai direto pra mesa,
Então merece cuidado!

É preciso sim, zelar!
Nunca, nunca destruir
Quando chagarem aqueles
Que quiserem construir
E aterrar o nosso mangue
Não podemos permitir!

Saindo da lama boa
Os Rios vamos seguir
Às margens do “Cão Sem Plumas”
Sentindo a vida fluir
Vemos no Capibaribe
Um pescador refletir

É dali que ele retira
Seu sustento pra viver…
Ele vai levando a rede,
Traz os peixes pra vender,
E assim, com esse dinheiro,
Ele compra o que comer

Sabemos que o rio é vida
Então vamos conservar
Não só o Capibaribe,
Beberibe preservar
E ainda tantos outros
Que não dá para contar!

E os parques e as praças,
Você já parou pra ver?
Nesses lugares achamos
Belas árvores para encher
De sombras a vida quente
Que a gente costuma a ter

E no verde dessas praças
Nós iremos encontrar
Insetos e passarinhos
Que têm asas pra voar
E levam as suas vidas
Sempre a cantarolar

Já que falamos em verde
Você viu o Baobá?
Uma árvore bem grande
Não há como não notar
Tem na praça da república
Pra quem quiser visitar

E há outros Baobás
Espalhados na Cidade
No Jardim do Baobá
Ele é a celebridade
Evocando nossa história
E nossa ancestralidade

O Baobá é tombado
Sabe o que quer dizer?
Que foi criada uma lei
Que o pode proteger
Seria bom se essa lei
Pudesse então se estender…

Abarcar todo o Recife
E toda a sua natureza
Protegendo fauna, flora
Mantendo a sua beleza
Conservar esta cidade
É nossa maior certeza

Que agora nós comecemos
A zelar pelo ambiente
Da nossa cidade bela
Que é bem mais inteligente
Porque se cuidarmos dela
Nós vamos cuidar da gente!!!”

por Mari Bigio

  • “Um passeio ecológico pelo Recife” foi um dos primeiros cordéis infantis escritos por Mari Bigio em 2007. O texto fez parte da coletânea Arrecifes de Cordel, da Prefeitura da Cidade do Recife, e recentemente foi tranformado em vídeo pelo projeto Cordel Animado, parceria de Mari Bigio com a sua irmã, Milla Bigio. Este cordel exalta as belezas naturais que resistem em meio à metrópole, convidando os espectadores para olharem a cidade com mais sensibilidade e afeto.
Publicado em CORDEL, Cordel para Crianças, Educação Ambiental, Poesia Infantil, Vídeos | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

O Cordel nos conta a famosa sina dos dois amores da Colombina – Cordel para crianças

Colombina - por Murilo Silva
(todos os direitos reservados)

Rei Momo deu uma Festa
Pra fazer uma homenagem
À Rainha Estrela Vênus
Que estava de passagem
Todo mundo mascarado
Cada qual um personagem

A Alegria colocou
A máscara da Tristeza
O Príncipe se enfeitou
Com coroa de Princesa
E com chapéu de duende
Uma Ninfa da beleza!

Um rapazinho chegou
Meio tímido e choroso
Sua roupa preta e branca
Um figurino garboso
Uma lágrima no rosto
E semblante generoso

O seu nome Pierrô
Da corte um trabalhador
Sonhava em um dia
Conquistar o seu amor:
A bonita Colombina
Na festa também chegou

Mas que mocinha tão bela!
Veio como bailarina
Com a pose de um fada
Com os olhos de menina
O Rei Momo a recebeu
“Oh, bem-vinda Colombina!”

Um palhaço colorido
Que se chamava Arlequim
Chegou dando cambalhota
Fazendo o maior festim
“Vou contar uma piada
todos olhem para mim!”

Pierrô não achou graça
Mas Colombina sorriu
De mãos dadas com Arlequim
A bailarina saiu
Pierrô ficou tristonho
“Oh, o meu amor sumiu!”

E o tal bobo da corte
O fabuloso Arlequim
Conversava com a menina
De mãos dadas no jardim
E fez tanta palhaçada
Que a coitada achou ruim!

Colombina retornou
Pra dançar lá no salão
Convidou o Pierrô
E pegou na sua mão
O rapaz quase desmaia
Bateu forte o coração!

“Porque não fala um agrado?
ou me canta uma canção”
Lhe pediu a Colombina
Quando deixava o salão
Pierrô soltou a voz
E cantou com emoção:

“O Jardineira porque estás tão triste?
Mas o que foi que te aconteceu?
Foi a camélia que caiu do galho
Deu dois suspiros e depois morreu!”
***

Colombina achou bonito
O timbre do Pierrô
Mas que música mais triste
Escolheu esse cantor!
“Desse jeito não me aguento!”
Colombina suspirou!

E nos bailes do Rei Momo
Colombina dividiu
Dançava com Arlequim
Com quem um dia sorriu
Ora com o PierrôQue era ótimo cantor
Mas a lágrima caiu

E depois de muito tempo
Até hoje ‘inda é assim
Sempre atrás da Colombina
Pierrô e Arlequim
Um fazendo estripulia
O outro na cantoria
Na serenata sem fim

E ela nunca se decide
Pois aos dois ela quer bem
Gosta muito da comédia
Seriedade também
Bom mesmo é ver Colombina
Dançando qual bailarina
Alegre como ninguém!

por Mari Bigio

*** trecho da canção “A Jardinei”, de Benedito Lacerda e Humberto Porto, interpretada por Orlando Silva.

Assista o vídeo do Cordel Animado contando essa história!

Publicado em carnaval, CORDEL, Cordel para Crianças, Poesia Infantil, Vídeos | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Duas Pastorinhas

Bonecas Pastorinhas por @feitohamão

Em um dia especial
Uma doce Pastorinha
Se preparava feliz
Para a Queima da Lapinha

Pôs o seu vestido azul
Que era cor do seu cordão
Saiu na rua cantando
Uma bonita canção:

“Boa noite meus senhores todos1
boa noite senhoras também
somos pastoras
pastorinhas belas
que alegremente vamos à Belém”

Pensava na brincadeira
Das noites de Pastoril
De tradição natalina
Da cultura do Brasil

Bem no meio do caminho
Encontrou sua vizinha
Com um vestido encarnado
Também era Pastorinha

Seguiram cantando juntas
Cumprimentando os passantes
Ficavam sempre felizes
Encontrando outros brincantes

Quando bateu meio-dia
O Sol quente de rachar
As amigas Pastorinhas
Sentaram pra descansar

Acharam uma boa sombra
Debaixo de um arvoredo
Mas ouviram um assobio
Que lhes causou grande medo!

“Isso é barulho de bicho
que está pronto pra atacar!
que bicho uma hora dessas
tá na mata a vadiar?”

Disse assim a Pastorinha
De laço azul na cabeça
E completou: “Lobisomem?
só chega caso anoiteça!”

A do Cordão Encarnado
Desconfiou do ruído
“Não é burrinha, nem boi
que eu conheço o mugido!

parece canto de pássaro
que não gosta de cantar
um canto saudoso e triste
faz o couro arrepiar!

um canto de mau agouro
vou rezar pro Anjo bom…
pra ver se o canto macabro
some logo ou muda o tom!”

E mesmo muito assombradas
As duas ficaram lá
Eis que o bicho apareceu
Era ele: o Jaraguá!

Elas quase desmaiavam
Quando o bicho enorme veio
Com seu crânio de cavalo
“Virge mãe, que bicho feio”!

O bicho de boca aberta
Avançava nas mocinhas
Era alto e pescoçudo
Bem maior que as Pastorinhas

Mas as duas recordaram
De uma canção pra ajudar
Pois o tal do Jaraguá
Gosta mesmo é de dançar

“Chegou, chegou2
já chegou meu Jaraguá
o bichinho é bonitinho
ele sabe vadiar…”

O bicho fechou a boca
E começou a bailar
Deu meia-volta e fez fita
Queria era se amostrar

Com pandeiros de fitinhas
As Pastoras, compassadas,
Pensavam na sua Mestra
E Contra-Mestra ensaiadas

Lembravam da Borboleta
Com sua delicadeza
E até mesmo da Diana
Tão cheia das incertezas

A Camponesa também
Veio logo na memória
E a encantada Cigana
Cheia de fibra e de glória

Evocando a força delas
Perderam logo seu medo
Bailaram com o Jaraguá
Mas isso fica em segredo

“Até que ele é bonitinho!”
Disseram no mesmo instante
O Jaraguá se movia
Com seu jeito vacilante

Como que enfeitiçado
O monstrengo deu no pé
Mas antes, com seu focinho
Fez nas duas cafuné

“Vou contar pra minha Mestra!”
“E eu também vou falar
para a minha Contra-Mestra
assim que eu a encontrar!”

Aquele encontro foi breve
Mas ficou no coração
No dia em que as pastorinhas
Dançaram com a assombração!

A tarde caiu de vez
E foi chegando à noitinha
Foram as duas Pastoras
Para a Queima da Lapinha!

“Viemos para adorar
jesus Nasceu para nos salvar…”3

  1. Cantiga típica do folguedo Pastoril
  2. Cantiga do Reisado
  3. Cantiga típica do folguedo Pastoril

Publicado em CORDEL, Cordel para Crianças, Poesia Infantil | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Encontro com Paulo Freire – Cordel

Capa por Murilo Silva – Todos os Direitos Reservados
não reproduza sem autorização.

Caros leitores e ouvintes
De toda América Latina
Que na Jornada me escutam
Minha verve pura e fina
Vem saudar o centenário
De um pensador visionário
Que até hoje nos ensina

Nos meus sonhos de poeta
Eu encontro as entidades
Os heróis, as heroínas
Tão cheios de qualidades
E os mártires da nossa história
Cujo o legado e memória
Transformam realidades

Num desses encontros míticos
Um sábio me visitou
Homem culto, muito simples
Junto a mim devaneou
Sobre o presente nefasto
Que sobre o solo tão vasto
Deste país se instalou

Era ele Paulo Freire!
Patrono da educação!
Cujas obras e os estudos
Promovem libertação
Mudando a pedagogia
Buscando a filosofia
Também conscientização

Não me sinto anfitriã
A altura deste evento
Pois receber Paulo Freire
Ainda que em pensamento
Honraria sem igual
Por demais fenomenal
Sem qualquer planejamento

Foi quando ali aprendi
Que também posso ensinar
Que todo encontro é de troca
E me permiti sonhar
Pois sua sabedoria
Era doce, não feria
Com afeto ao partilhar

Ao opressor não importa
A nossa emancipação
A Cultura do Silêncio
É a que lhe dá razão
Educar é libertar
Refletir e questionar
Mais que alfabetização

É na indignação
Que se faz a ruptura
Somos todos os sujeitos
Fazedores de cultura
Atuamos como seres
No vai e vem dos saberes
Aprendizagem mais pura

Mesmo alfabetização
Precisa ser popular
Levar em conta o contexto
Do sujeito e do lugar
Com princípios progressistas
E anticolonialistas
Para revolucionar

A mercantilização
Que à escola privatiza
Só nos tolhe ainda mais
Opressão que se enraíza
Que diminui, que rotula
Que não expande e modula
Ao que o Capital precisa

Se hoje estamos reféns
De um desgoverno tão vil
Lá no passado fizemos
Uma educação servil
Que decorava e engolia
Uma escola que punia
Com a palmatória viril

A Escola deve ser
Democrática, acessível
Também publica e gratuita
Sem a classe como nível
Que difere a qualidade
Afeita à diversidade
De maneira indiscutível

No fim da reunião
Eu ‘inda pude escutar
Paulo Freire me falando
Sobre o verbo esperançar
Que é mover-se pra mudança
Aliada à esperança
Pra muito além de esperar

Ele sorriu e me disse
Em tom bastante otimista:
“Que alegria conhecer
uma mulher cordelista
se educação é a cura
é mesmo a Literatura
que nos trará tal conquista…

o Ato de ler é tão nobre
e a poesia é tão singela
arte de dizer o mundo
como um pintor faz na tela
a palavra é o pincel
e estas rimas em cordel
são as cores da aquarela!”

Eu me vi emocionada
E não queria acordar
Mas lembrei-me da lição
Sobre o verbo esperançar
Eu devo estar bem desperta
Com meu coração alerta
Ideais a me guiar

Que sejamos freirianos
Em prol da nossa nação!
Que transformemos o mundo
Através da Educação!
Que o sonho  seja o motor
A cultura o condutor
Destino à Libertação!

Por Mari Bigio, em Setembro de 2021. Cordel feito especialmente para o Ato Político e Cultural em Homenagem ao 100 anos de Paulo Freire, à convite da CNTE.

Publicado em CORDEL, Cordel por encomenda | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários