Os três irmãos – Um conto de Natal

Papai Noel - Por Murilo Silva

Papai Noel – Por Murilo Silva

Por Mariane Bigio

Era dezembro e os três irmãos estavam animados. Haviam sido alertados sobre a tradição de pendurar suas meias sob o parapeito da janela, e ainda sobre as cartinhas com os pedidos de presentes de natal, que deveriam ser escritas com antecedência, para que o Papai Noel trouxesse exatamente o que gostariam de receber naquele ano. Um ano que passara voando, e o mês, cheio de festas e confraternizações, pareceu curto para tantos preparativos. A véspera de Natal chegara, e os três se ocuparam entre afazeres na cozinha, brincadeiras, faxina na casa, brincadeiras, beliscos nos quitutes da ceia e mais brincadeiras. A casa era simples e os irmãos ajudavam a família com cada detalhe da festa que começaria a qualquer momento.
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Tudo foi perfeito, divertido, e a comida estava deliciosa! Depois da sobremesa, o mais velho lembrou-se das meias, caramba! Todas as minhas meias estão sujas, e mamãe não quer que eu fique sem sapatos enquanto a vovó estiver por perto! O irmão do meio também não havia separado meia alguma, tampouco a caçula havia guardado um meia cheirosa e limpa para receber o bom velhinho. Os três foram ao cesto de roupas sujas e retiraram suas meias usadas de lá. Antes que os pais percebessem, fizeram um pequeno varal logo abaixo da janela, com as três meias penduradas. Depois das cantigas e jogos, os três adormeceram num colchão entre os primos e primas, em um outro cômodo da casa. As meias estavam penduradas, mas eles não haviam escrito sequer bilhetes para sinalizar ao Papai Noel sobre seus desejos. E agora?
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A casa dormia enquanto a coruja piava do lado de fora. O trenó estacionou nos fundos da casa, e o velhinho limpou o solado das botas sujas de terra no capacho em frente à porta. Demorou-se um pouco, até que se voltou, apreensivo, cochichando ao seu duende assistente: esta é a casa dos três irmãos! Foram eles que não escreveram nada sobre o queriam ganhar de presente. Querem que o bom velhinho faça mágica para descobrir! O duende respondeu: mas não é isso mesmo que o senhor faz? E os dois riram juntos, aos sussurros, com medo de serem ouvidos. Ao passar pela porta da cozinha Papai Noel avistou as tais meias dos pequenos. No caminho depositou, próximo à árvore de natal, os pacotes destinados aos pais, primos, avós, tios e tias das crianças. Todos já estavam prontinhos no saco mágico do bom velhinho. Papai Noel coçou a barba e o Duende se aproximou das meias, até cheirá-las…. plah! Estão sujas! Que horror! Noel deu um risinho contido, de boca fechada, tinham que ser silenciosos para que ninguém acordasse. O Duende assistente sacudiu no ar a meia do irmão mais velho…. uma meia comprida, devia chegar até o joelho do menino. Estava suada, com um chulézinho discreto e salpicada de grama verde. Hummm… o Papai Noel corrigiu sua postura e pigarreou. Disse algumas palavras magicas. O duende tirou de dentro do saco um pacote redondo que deixou abaixo daquela primeira meia. A meia do irmão do meio estava mais fedorenta… o Duende olhou dentro dela e teve que prender o espirro: está cheia de areia branca, e bem fininha. Veja! Também tem um conchinha aqui dentro. Hummm, muito bom, disse Papai Noel. Falou novamente as palavras mágicas e um outro pacote estava prontinho, saído do grande saco vermelho. Este ficou abaixo da meia que estava no centro. A última meia era muito fofinha, cheia de desenhos coloridos, uma bainha de arco-íris, e era a menorzinha das três, parecia limpa, mas…. credo! Que fedor! Esta é a pior de todas, Noel! O velhinho prontamente respondeu: prova de que a menina é espoleta, corre e pula tanto quanto os irmãos! Ao balançar a meia o duende teve um susto: um pó brilhante saiu de lá de dentro… não é possível! Pó mágico na meia de uma criança humana? Calma, calma, isto é o que eles chamam de glíter, pequenino. Também é uma ótima pista, junto com os desenhos da meia, o arco-íris na bainha…. talvez um chulé de quem gosta de usar botas ou galochas para brincar…. hum… é isso! O velhinho disse outras palavras mágicas e o Duende precisou se esforçar para retirar o pacote grande e pesado de dentro do saco vermelho. Deixou-o bem abaixo da meia pequenina. Ufa! Terminamos por aqui! Disse o assistente. O Papai Noel e o Duende deixaram a casa satisfeitos, e dentro de poucas horas o dia amanheceu.
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As crianças deixaram o quarto esbaforidas e atropelaram os primos que tentavam encontrar seus presentes ao redor da árvore. Eles foram diretamente ao local das meias, e cada um pegou o presente que lhe estava designado. Ao abrir, os olhos dos três brilharam de satisfação! Viva! Isso! Eba! Era exatamente o que eu queria! O irmão mais velho ganhou uma belíssima bola de futebol, para jogar no campinho onde costumava sujar suas meias de grama verdinha. O irmão do meio se deleitou com o trator, pás e balde que ganhara para brincar na areia branca e fininha, da praia em que passeava no final da tarde, depois da escola. Às vezes tinha tanta pressa de brincar que pulava na praia de tênis e meia, e até gostava de catar conchinhas e guardar nas meias para colecionar depois. A irmã mais nova, a pequenina espoleta, vibrou com o seu unicórnio de madeira, crina cor de arco-íris e chifre salpicado de purpurina dourada! Vou cavalgar com minhas galochas, ihaaaa! Do lado de fora da casa o Duende se esgueirava entre os arbustos, assistindo à cena pela janela. Na sua prancheta desenhou uma carinha sorridente ao lado do endereço dos três irmãos e sumiu, logo depois, em meio a uma fumaça branca e pó mágico, pois precisava apresentar o “Relatório da Alegria” ao Papai Noel.

Sobre Mariane Bigio

Poeta e Videasta. Eu faço versos como quem chora, ama, brinca, ri.... Eu faço versos como que vive.
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Uma resposta para Os três irmãos – Um conto de Natal

  1. Franci Palhano disse:

    Vige Maria que lindeza é essa, meu Deus. Amei, Mari. Amei. Parabéns Beijo no coração Franci

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