O Palhaço que tinha medo de risada – História Poética

O Palhaço que tinha medo de risada – por Murilo Silva

Era uma vez

Um palhaço…

.

Que tinha medo de risada!

.

Seu primeiro dia no Circo

Na primeira palhaçada

A plateia inteira riu

De forma sincronizada

.

O palhaço ficou duro!

Sentiu-se só, no escuro

Do picadeiro fugiu

Onde é que já se viu?

Coisa tão inusitada

Um palhaço, minha gente

Que tem medo de risada!

.

De aplausos ele gostava

Assobios? Sem problema!

Mas vivia um dilema

Sempre a cada palhaçada

Pois esse era um palhaço

Que tinha medo de risada!

.

Vamos fazer um teste,

Pra ver se é mesmo verdade?

Ou se é coisa da vaidade

De um palhaço inconsequente?

Quem aí está contente?

Vamos dar uma gargalhada?

Bem alta, bem ritmada,

Daquelas bem estridentes?!!

.

1, 2, 3….

Ahahahahahahahahahahahaha!

.

Xiiiiii

Não tem jeito minha gente!

Tô ficando preocupada

Esse é mesmo um palhaço

Que tem medo de risada!

.

Ele foi pra terapia…

Ouviu risada de bruxa!

Mas vejam só, que papel!

O médico receitou até

Risada de…. Papai Noel!

.

Risada de voz muito grave

E de voz esganiçada

Só pra ver se ele perdia

O tal medo de risada

.

Risada de bebezinho…!

Risada de vovózinha…!

Risada até de porquinho…!

E o pato até arriscou

uma risada baixinha….!

.

Conversou com uma hiena

Que ria enquanto falava

E a tal da terapia, foi dando uma melhorada

E o palhaço foi perdendo

O seu medo de risada!

.

Depois de ouvir tanto riso

Depois de ouvir gargalhada

Chegou a hora de o palhaço

Ter a coragem testada

Será que ele ainda teria

O tal medo de risada?

.

Plateia na arquibancada

Gente de toda idade

De cada canto do mundo

De diferentes cidades

.

O apresentador chegou

E ali logo anunciou

Do circo a tal novidade

.

“Nariz de Tomate

Seja bem-vindo ao circo!”

.

Ele entrou no picadeiro

E deu logo um trupicão!

Antes de chegar no meio

Deu foi com o nariz no chão!

.

Ô palhaço mais maluco!

É da trupe zupe-zupe

Era Nariz de Tomate

Mas agora é Quétichupe!

.

Começou a risadagem

Todo mundo gargalhava

O palhaço se escondeu

Mas aos poucos já gostava

De ouvir aquele som

Quer dizer que ele era bom!

E todos gostavam dele!

.

Ele então continuou

Seu número prosseguiu

A plateia riu, que riu

Assobiou, aplaudiu!

E ele estava curado!

.

Viva o Nariz de Tomate!

Viva a sua palhaçada!

Viva o palhaço que um dia

teve medo de risada!

.

Por Mari Bigio

Publicado em Poesia Infantil | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

As Águas e o Capibaribe – Cordel

Escrevi este Cordel para compor uma coletânea de folhetos com temática ambiental, à convite da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Prefeitura da Cidade do Recife, em 2013.

Um poeta já nos disse:
“nossa vida é como um rio”
flui sem pressa e retenção
em seu leito, no baixio
guarda todos os segredos
as vivências e os medos
a beleza e o sombrio

Um espelho d’água clara
que reflete nossa alma
a voz do rio revela
a quem escutar com calma:
conta sobre suas gentes
pois ele e seus afluentes
são como as linhas da palma

Assim o Capibaribe
o Rio das Capivaras
nos fala de tempos idos
de coisas velhas e raras
de cheias, revoluções
de senzalas e mansões
histórias belas e caras

Sua foz em pleno Porto
não esquece da nascente
dos causos dos pescadores
da gente pobre e contente
que vive à margem do rio
das cores do casario
que aquarela o Sol poente

João Cabral de Melo Neto
fez do rio Severino*
o exímio “Cão sem Plumas”**
nas memórias do menino
– que foi Manuel Bandeira –
jangadas de bananeira
caboclos no Sol à pino

Chamado “Capiberibe”
numa certa Evocação***
no Cais da Rua da Aurora
logo após a União
carrega o sentimento
do primeiro alumbramento
testemunha da paixão

Este rio que nos corta
atravessa, não reparte
como se fosse uma artéria
do Recife um estandarte
da cidade o coração
e fonte de inspiração
da poesia e da arte

Do letreiro do Cinema
à Ponte de Ferro antiga
faz parte dessa paisagem
como um verso da cantiga
e as estátuas dos poetas
repousando mui quietas
na beirada que os abriga

O seu curso, poluído
hoje encontra-se exangue
Como um corpo sobrevive
contaminando-se o sangue?
é como um quadro dantesco
mesmo triste, pitoresco
emoldurado por mangue

Um dejeto que se afunda
esperança que naufraga
será que este rio guarda
da cidade certa mágoa?
penso na situação
d’um córrego, um ribeirão
e outros tantos cursos d’água…

É mesmo que envenenar-se
degradar o ambiente
fazer das águas “lixão”
não usar corretamente
este Bem que é pura Vida
este poema elucida
o seu uso consciente

Tanta gente reclamando
do calor, que nos enfada
e põe a culpa no Sol
enquanto lava a calçada
o carro fica tinindo
e o tesouro se esvaindo
é água desperdiçada…

Para ter alma lavada
melhor fechar a torneira
pra quem canta no chuveiro
pode parecer besteira
mas o que vai pelo ralo
é precioso regalo
da uma existência inteira

O corpo é feito de água
o fluido corre na veia
e a Terra vista do alto?
é toda azul, nossa aldeia!
e assim é fácil pensar
que é necessário cuidar
da água que nos rodeia

E deste rio bonito
no coração da cidade
que aos poucos vai retomando
a sua longevidade
e se juntos embarcamos
então com ele pulsamos
tamanha afetividade!

Mari Bigio
Recife, outubro de 2013.

NOTAS:

*Referência ao livro Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto.

** Referência ao livro “O Cão Sem Plumas”, de João Cabral de Melo Neto.

***Referência ao poema “Evocação do Recife”, de Manuel Bandeira.

Publicado em CORDEL, Cordel por encomenda | Marcado com , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

A Peleja da Mulher com o Espelho – Cordel para transformar mulheres

A Peleja da Mulher com o Espelho – Vídeo Performance

Bem diante do Espelho
A Mulher se viu despida
Sentiu-se tão vulnerável
Muito frágil, constrangida
Não gostava do que via
Seu olhar entristecia
Como estivesse ferida

A Mulher, quase encolhida
Execrava a própria imagem
Quis culpar o tal Espelho
Desejando camuflagem
(MULHER) “Teu intento é de humilhar?
Insistindo em me mostrar
essa terrível visagem?”

(ESPELHO) “Desejas uma miragem?
A mentira, a ilusão?
Pois eu só mostro a verdade
como a água em mansidão
que reflete a luz da lua
eis a tua pele nua
só reflito exatidão”

(MULHER) “Mas fere o meu coração
me enxergar assim, tão feia
já que são tão bonitas
as moças de minha aldeia
de certo, tens algum grau
me deformas, sendo mau
e a vergonha me cerceia!”

(ESPELHO) “Se não te enxergas sereia
a culpa já não é minha
as outras mulheres todas
vêm co’ a mesma ladainha
outros corpos refleti
tudo o que reproduzi
tinhas rugas e espinhas…

tinha curvas, tantas linhas
tamanhos, tantas alturas
cicatrizes, celulites
e o que chamam de “gorduras”
cada mulher que se via
insatisfeita ruía
em seu pesar de amarguras

tantas lindas criaturas
com olhar aprisionado
achando que está lá fora
o segredo do “El Dorado”
não sabem que todo espelho
é somente um aparelho
ao silêncio condenado

mas se for enfeitiçado…
ele poderá falar
e dizer dessa beleza
que mora no “ se gostar”
na aceitação do seu jeito
do ventre, pernas e peito
do cabelo ao calcanhar!”

(MULHER) “Pois eu já ouvi contar
de um espelho assim, falante
que só incitou inveja
sentimento revoltante
o espelho, espelho meu
sensual entorpeceu
a rainha relutante!”

(ESPELHO) “Foi só coadjuvante
o espelho nessa história
a rainha já nutria
bem no fundo da memória
um ciúme doentio
e esse lado, tão sombrio
rebelou-se em sua glória”

(MULHER) “Uma defesa notória…
E o espelho que quebrar,
não garante à sua dona
os 7 anos de azar?
Presunção e petulância
ou talvez a arrogância
dessa arte de espelhar!”

(ESPELHO) “Pra não deixar-se quebrar
em cacos pontiagudos
foi que inventou-se esse mito
dentre os espelhos miúdos
transportados em maletas
recostados em gavetas
dentre tantos conteúdos

e enfim, eu te saúdo
por tua tez, tão singela
és natural com teu brilho
por isso mesmo és tão bela
que um dia possa me olhar
e em mim te ver, e gostar
sem tristeza e sem querela!”

(MULHER) “A mulher que se revela
me parece diferente
você mudou o meu corpo?
Ou mudou a minha mente?
Transformou o meu olhar?
Eu já sou capaz de amar
esse corpo em minha frente!”

A Mulher ficou descrente
Ao notar sua beleza
O Espelho ficou mudo
Mas refletiu com pureza
Tal como é de seu feitio
Espelhando todo o brio
Das deusas da natureza

A Mulher teve certeza
De que havia transmutado…
Mas o espelho era ela mesma
Conversando do outro lado
Era a sua consciência
O seu “eu”, com sapiência
Como espelho, disfarçado

Com seu olhar renovado
Alma reconfigurada
Seu corpo se viu mais leve
E livre em sua jornada
Ponha seu batom vermelho
Faça as pazes com o espelho
Seja também transformada!

Por Mari Bigio, Março de 2021

Publicado em CORDEL, Vídeos | Marcado com , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Cordel par Meditar – Um voo sobre o mar

Cordel para meditar

por Murilo Silva – todos os direitos reservados

Te convido a escutar
A beleza da poesia
Do encontro entre as palavras
Com encanto e a magia
Feche os olhos e desfrute
Qual fosse uma melodia…

Sente ou deite, confortável
Respire profundamente
Inspire puxando o ar
Solte vagarosamente
Deixe que o ar penetre
E acalme a sua mente

Inspire como quem sente
O cheiro de uma florzinha
Expire como quem sopra
A chama de uma velinha
Sinta a calma se instalar
E sigamos nessa linha

Imagine uma prainha
Com longa faixa de areia
Ao longe se ouve o canto
De uma mamãe baleia
Que no fundo do oceano
Com seu filhote passeia

As ondas batem nas pedras
Nos recifes de corais
E se espraiam nos seus pés
Lhes trazendo água e sais
Na ciranda das marés
Cheias de “vens” e “vais”

Na areia, muitas conchas
E barcos a descansar
O Sol já se despediu
A leve brisa a soprar
E o som de alguns passarinhos
Vai cessando devagar

Os grãos de areia nos pés
Fazem massagem gostosa
Ouça o barulho do mar
É uma voz melodiosa
Como a sereia que canta
Com sua cauda escamosa

A Lua chega, brilhosa
Demonstrando realeza
Seu reflexo nas águas
É de extrema singeleza
É Deus mostrando pra gente
Como é bela a Natureza

Os coqueiros se balançam
As folhas dançam no ar
Como fossem guardiões
Guardando a beira-do-mar
Os siris saem das tocas
E seu balé vêm mostrar

O Céu é azul escuro
Negro céu com seus encantos
As nuvens, muito macias
O recobrem com seu manto
As estrelas vêm surgindo
Cada uma no seu canto

As constelações se mostram
Diante do seu olhar
Continue respirando
Pro seu corpo relaxar
Imagine que no céu
Você começa a voar

Flutuando lá em cima
Tão leve como uma pena
As nuvens tocam seu rosto
A brisa sopra serena
Imagine este passeio
Com a sua mente plena

Veja o jardim celeste
Com estrelas cintilantes
Seus dedos tocam nos astros
Que desgastam pó brilhante
Deixe que a paz enfim
Seja a sua tripulante

Volte aos poucos, respirando
Como um barco que regressa
Aterrize de seu voo
Tranquilamente, sem pressa
Foi uma breve viagem
E que com o pouso cessa

De volta à praia outra vez
Vá nas areias pisando
Sinta os grãos por entre os dedos
Aos seus pés, massageando
O canto da mãe baleia
Já vai se distanciando

A sereia que nadava
Já se vai, submergir
E aos pouquinhos você pode
Os seus olhinhos abrir
Ou quem sabe até prefira
Sonhar mais, até dormir

Que a poesia embale o sonho
E o verso possa ecoar
Preenchendo o coração
De quem deixou-se levar
Pelas ondas das palavras
Do Cordel pra Meditar….

Por Mariane Bigio,
Agosto 2020

PARA OUVIR:
Cordel para Meditar – Soundcloud

PARA VER E OUVIR:
Cordel para Meditar – Youtube

Publicado em CORDEL, Cordel para Crianças, Cordel para Meditar | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário

Coisa de avó e de avô

Por Mariane Bigio, Julho 2020

Imagem de <a href="https://pixabay.com/pt/users/eommina-1183101/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1989145">eommina</a> por <a href="https://pixabay.com/pt/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1989145">Pixabay</a>

Imagem de eommina por Pixabay

É mesmo coisa de avó
Aquele abraço dengoso
Bolo quentinho, no forno
E um cafezinho cheiroso

É mesmo coisa de avô
Conselho sábio e certeiro
Ter memórias pra contar
Dos tempos de marinheiro

É mesmo coisa de avó
A cantiga de Ninar
A cadeira de balanço
Com histórias pra embalar

É mesmo coisa de avô
Ter um relógio que brilha
Gostar de trens e de trilhos
E de brinquedo sem pilha

É mesmo coisa de avó
Fazer costura e bordado
Guardar tecido em retalhos
Pano de prato pintado

É mesmo coisa de avô
Gostar de jogo de bola
Sentado em sua poltrona
O som do ranger da mola

É mesmo coisa de avó
Fazer os gostos da gente
Fazer remédio caseiro
Cuidar de quem tá doente

É mesmo coisa de avô
Gostar de mato e de bicho
Ser careca ou bem grisalho
Ter bigode no capricho

É mesmo coisa de avó
Relembrar, ter nostalgias
Preocupações em excesso
Também criar teorias

É mesmo coisa de avô
Uns causos de mentirinha
Carro de lata, consertos
E um bom cochilo à tardinha

É mesmo coisa de avó
Caminhar de braço erguido
Hidro, dança de salão
Fazer pirão e cozido

É mesmo coisa de avô
Lava-a-jato na calçada
Um jogo de tabuleiro
Jornal, palavra-cruzada

É mesmo coisa de avó
Cuidar de planta, de flor
Ter cheiro bom, de colônia
E um colo cheio de amor

É mesmo coisa de avós
Encher de mimo e carinhos
“estragar” de tanto dengo
amar demais seus netinhos!

Publicado em CORDEL, Cordel para Crianças | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

De quem será esse ovo?

Imagem de <a href="https://pixabay.com/pt/users/Jozefm84-10215106/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4896509">Jozef Mikulcik</a> por <a href="https://pixabay.com/pt/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=4896509">Pixabay</a>Novo e de novo e de novo
De quem será esse ovo?

Um ovo de Jacaré
Que mora lá na lagoa?
Será ovo de pinguim?
Que é ave mas não voa?

Novo e de novo e de novo
De quem será esse ovo?

Ovo de tartaruga
Nossa amiga vagarosa
Um ovo de Sabiá
O que canta todo prosa

Novo e de novo e de novo
De quem será esse ovo?

Será um ovo de cobra
venenosa… credo em cruz!
Ave grande, bota ovo
Será ovo de avestruz?

Novo e de novo e de novo
De quem será esse ovo?

Um ovo de dinossauro
Que há muito foi extinto?
Ou ovo de carcará
Pássaro bravo e tão faminto?

Novo e de novo e de novo
De quem será esse ovo?

Tanto bicho bota ovo
Tanto ovo vira bicho
A natureza nos mostra
A singeleza e o capricho

Mas o quê? O que é isso?
Está vindo, o filhotinho…
Tá nascendo, vai nascer…
Já nasceu: É um pintinho!

Novo e de novo e de novo
É da galinha esse ovo!

Publicado em Cordel para Crianças | Marcado com , , , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

A Saga de Zé do Cano Contra o Coronavírus – Cordel Ambiental

Texto de Espetáculo “A Saga de Zé do Cano contra o Coronavírus”, da BRK Ambiental, escrito em cordel por Mariane Bigio, permeado por paródias e músicas.

Captura de Tela 2020-06-04 às 12.40.02

Alô, alô criançada
E adultos deste lugar
Hoje trago uma mensagem
Num cordel eu vou narrar
A saga de Zé do Cano
Que não é um ser humano
Mas tem muito a ensinar!

Zé do Cano é um herói
que nunca nos abandona
e contra os vilões do esgoto
o Zé do Cano detona!
Precisamos ajudar
Hoje vamos recrutar
Mais heróis contra o Corona!

Nessa nossa maratona
Enfrentamos um vilão
Invisível aos nossos olhos
Mas que é muito sabichão
Que nos faz adoecer
Nós precisamos vencer
Por isso muita atenção:

O remédio é prevenção
É a força que nos move
Ei meninos e meninas
Cuja alegria comove!
Precisamos de vocês
Para eliminar de vez
a COVID-19!

Precisamos que os abraços
Aperto de mão, beijinho
Por hora fiquem guardados
Pois são o principal caminho
Para o vírus se espalhar
Assim vamos demonstrar
De outro jeito este carinho

Paródia 1

Terezinha de Jesus
Preferiu não dar a mão
Por enquanto cavalheiro
Só terás meu coração

Da laranja quero um gomo
Do limão quero um pedaço
O carinho mais seguro
É sem beijo e sem abraço

E seguindo esta cantiga
Há reforço inteligente
Mais heróis que nos ajudam
Atuando nesta frente
Um deles sai da torneira
Zé responde de primeira:
É a água minha gente!

Uma heroína potente
Enfrenta muitas doenças
Mas temos que cuidar dela
Pra que o Corona não vença!
Sempre economizar
Pra que não venha a faltar
Pois água não se dispensa!

Há vilões em desavença
Vivem criando cilada
Ferindo o meio-ambiente
E a agua, nossa aliada
São eles vilões do esgoto
Deixam a rede arruinada!

Pra gente não dar mancada
Nesse tempo em quarentena
Fique atento, fique atenta
Pois a lição vale a pena
Cada lixo em seu destino
Pra não haver desatino
Pra nossa vida ser plena!

Os vilões do esgotamento
Nós iremos te mostrar
Fio Dental vai pro lixo
Depois que você usar
O Papel, o Absorvente
Não há descarga que aguente
O lixeiro é seu lugar!

Também no lixo jogar
A fraldinha descartável
Ao ajudar a mamãe
De maneira muito amável
Raspe o Resto de Comida
Lixo biodegradável

Assim é mais agradável
lavar a louça todinha
e muita atenção ao vilão
que é o óleo de cozinha!
Deve ir pra reciclagem
É assim que os heróis agem
Qual faz a borboletinha!

Paródia 2
Borboletinha
O óleo de cozinha
É descartado
Numa garrafinha

Poti poti
Faz muito mal
Jogar no ralo
Não é legal!

Também pelo ralo escapa
Outro vilão horroroso
Depois do banho, o Cabelo
Sai limpinho e bem cheiroso
Os fios que se soltaram
Lá no ralo acumularam
Virando um monstro seboso!

Outra vilã atrevida
Que também é perigosa
É a EMBALAGEM PLÁSTICA
Pequenina ou volumosa
Vai pro lixo, com certeza
Não polui a natureza
Nem a água preciosa

Assim você colabora
E o ciclo da Água flui
A Heroína ganha forças
Quando a gente não polui
Há outros heróis chegando
Zé do Cano Vem mostrando
Com a gente contribui

Ele é famoso demais
No combate ao tal vilão
Junto com água faz dupla
Para a nossa proteção
Tem no banheiro da gente
Não tem corona que aguente
Água junto com o SABÃO!

Paródia 3

O Sapo não lava a mão
Que falta de educação
Em tempos de quarentena
Só vale à pena a prevenção

Tem que lavar bem direito
Vinte a trinta segundinhos
Com espuma até o punho
E também entre os dedinhos
Das unhas nunca se esqueça
Sujeira desapareça
Nos deixando bem limpinhos!

E se não der pra lavar?
Se a água estiver faltando?
Temos um outro aliado
Para chegar completando
Este time de reforço
Pois vale qualquer esforço
Pra gente seguir ganhando

Quem é ele, amigo Zé?
Ele anda muito importante
Conheçam o Álcool Gel
Nosso coadjuvante
Pois ele vem pra salvar
Se a água ou sabão faltar
Pra gente seguir , avante!

E assim vamos ampliar
Nossa trincheira durona!
Nossa batalha é em casa
Pro vírus não ter carona
Da higiene cuidando
E água economizando
Na luta contra o Corona!

Quero a todos convidar
Para seguir este plano
Juntando-se a este time
sem se esquecer por engano
um vilão sempre destrói
você pode ser herói
juntando-se ao Zé do Cano!

Música Tema:

(Refrão)
Preste atenção Adulto
Preste atenção Criança
Faça parte deste time
Que defende a esperança!

Nós viemos recrutar
Os meninos, e meninas
Assim como Zé do Cano
São heróis e heroínas

Também vamos batalhar
Coronavírus vencer
E pra isso acontecer
Vocês podem ajudar

Suas mãos sempre lavar
Usando água e sabão
Ficando em casa, brincando
Cantando esta canção

Publicado em Cordel para Crianças, Música Infantil | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 5 Comentários

Cordel Espacial

por Jozef Mikulcik - Via Pixabay

Construí de papelão

Minha nave espacial

Pra voar por entre os astros

Do espaço sideral

.

Um foguete original

Com seus botões de tampinhas

E meu traje de astronauta

Um pijama de estrelinhas

.

Para esta aventura

Me preparei muito bem

Separei frutas pro lanche

Garrafa d´água também

.

A calculadora antiga

Virou o meu transmissor

Para me comunicar

Com o comando instrutor

.

A contagem regressiva

Começou no pensamento

3,2,1 e decolar!

Foi-se a nave me movimento

.

A vista era encantadora

Em meio ao céu estrelado

Que fiz usando a lanterna

E um escorredor furado

.

Fui navegando no espaço

Como num sonho encantado

Cheguei logo a um planeta

Um tanto desarrumado

.

Nem Mercúrio e nem Vênus

Brinquedos por todo canto

A bagunça em toda parte

Não era Marte portanto

.

Planeta desconhecido

Recebeu uma invasora:

– Depois arrume seu quarto!

Disse ela com a vassoura

.
Saí correndo dali

Para seguir o meu roteiro

Depois guiei minha nave

Rumo ao Planeta Banheiro

.

Pois lá tinha uma estação

Que precisei visitar

Deixei ali a encomenda

Para a descarga levar

.

Lavei muito bem as mãos

E deixei o tal planeta…

E assim segui rumo ao mundo

Dos livros e cadernetas

.

Muitas pastas nas estantes

Muitas histórias e discos

Ali explorei bastante

Não parecia haver riscos

.

Foi aí que um E.T.

De olhos muito aumentados

Veio logo me alertando:

– Tô trabalhando, cuidado.

.

E aquele E.T. barbado

Falou em seu dialeto

Com alguns outros E.Ts

No computador discreto

.

Talvez um clube secreto

Tipo interestelar

E de novo o E.T. falou

– Filho, eu vou trabalhar…

.

Para não atrapalhar

Eu segui na excursão

Não vi Júpter, mas Saturno

Deu pistas da direção

.

Nesse canto do universo

Qual um vórtice proibido

Ficava a cama que tinha

Campo de força embutido

.

Nela eu já dormi fugido

Nas noites de pesadelos

Ou quando fui perseguido

Por monstros cheios de pelos

.

Logo à frente, a prateleira

Com muitos anéis brilhantes

Serão anéis de saturno?

De poeira cintilante?

.

A invasora celeste

Com a arma vassoral

Apareceu por ali,

com seu tom habitual:

.

– Seu quarto é buraco negro!

Eita bagunça danada!

Se uma coisa se aproxima

No mesmo instante é tragada!

.

Eu parti em retirada

Sem ao menos avistar

Nem Urano, nem Netuno

Neste espaço singular

.

Mas cheguei a um lugar

E pousei o meu foguete

Sobre a fofa superfície

Felpuda como um tapete

.

Por ali investiguei

Se havia joia escondida

Mas só recolhi amostras

De restinhos de comida

.

Nenhuma rocha sequer

Consegui para a pesquisa

E segui na minha rota

Brincalhona e imprecisa

.

Sobrevoei a varanda

De onde avistei a lua

Ouvi uns seres lunares

Miando à noite na rua

.

Fui à área de serviço

Área restrita à presença

Lá revi a invasora

– Tô varrendo, dá licença?

.

No fim cheguei ao planeta

Que é o mundo dos sabores

Cheio de aromas diversos

Temperaturas e cores

.

A invasora voltou…

Na verdade era a Rainha

De todo aquele sistema

E da galáxia inteirinha!

.

Eu me rendi aos seus pés

E o foguete estacionei

Diante da Nave Mãe

Eu humilde me curvei

.

– Já está de noite, amanhã

Você toma o seu sorvete.

Ganhei um beijo na testa

E voltei pro meu foguete

.

Fui ao Planeta-meu-quarto

Seguindo a sua instrução

Arrumei minha bagunça

Dei por cumprida a missão!

Por Mariane Bigio

Publicado em Cordel para Crianças | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 2 Comentários

Cordel da Gratidão

Gratidão é uma palavra
Que expressa um sentimento
Uma alegria que invade
Nos toma por um momento
Quando alguém nos faz o bem
Nos dá carinho ou alento
.
Gratidão não anda só
Gosta de retribuir
Nós sentimos e queremos
Fazer o outro sentir
Se nós estamos felizes
Queremos fazer sorrir
.
Gratidão é prima-irmã
Da bela e gentil bondade
Um trevo de quatro folhas
Que muda a realidade
Que é condutora da paz
Porta-voz da humildade
.
Já vi nascer em um muro
Em meio a tanta dureza
Do concreto, do cimento
Um ramo de natureza
Nesse mesmo muro eu li
Um verso de gentileza
.
Gratidão pode ser simples
Não precisa complicar
Podemos agradecer
Tudo que a vida nos dá
Mas pra isso precisamos
Nossa cuca transformar
.
O óculos da gratidão
Todo mundo deve ter
Ele corrige a visão
Nos fazendo perceber
Que em todo canto há presentes
Para a gente agradecer
.
Se a gente olha o almoço
Não vê nada especial
Mas o óculos nos mostra
Um banquete sem igual
Preparado com carinho
Com sabor sensacional
.
Nossa cama, sem o óculos
Não tem nada diferente
Mas ajuste o seu olhar
Enxergue com outra lente
O descanso revigora
E o sonho é filme envolvente!
.
Como é bom poder sonhar
E brincar com a fantasia
Agradeça ao acordar
Pois nasceu um novo dia
Tantas possibilidades
Diga obrigado e sorria…
.
O carinho, e o amor!
O brinquedo e a comida
O colchão, o travesseiro
Nossa canção preferida
Os amigos… a família!
A saúde… a nossa vida!
.
Obrigado, obrigada
Pelas flores no jardim
Pela chuva, o arco-íris
E a noite que chega enfim
Trazendo a lua, as estrelas
Disposta no céu sem fim
.
Agradeço pelos livros
E a escola que me ensina
Sou grato por ser criança
Por ser menino ou menina
Pela imaginação
Que me encanta e me fascina
.
Pelo cheiro de pipoca
E a fruta doce e gostosa
Mesmo sendo pequeninas
As coisas são grandiosas
Com o óculos da gratidão
A vida é maravilhosa
.
E se eu cair? Me chateio!
Mas agradeço o remédio
Só sei que bom viajar
Se eu já conheci o tédio
Agradeço a minha casa
Mesmo que se chame prédio
.
Agradecer nos faz bem
E nos traz satisfação
Agradeço cada letra
Da palavra gratidão
O óculos que nos permite
Enxergar com o coração!
.

Mariane Bigio, durante a Quarentena de 2020.

Publicado em Cordel para Crianças | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 5 Comentários

Uma Menina Vestida de Jardim – Cordel para Crianças

Uma menina vestida de jardim

Sitio Formoso era lindo

Feito o nome já dizia

Lá morava uma menina

O seu nome era Maria

O mesmo nome da avó

Da mãe e também da tia

 

Por haver tanta Maria

Pra ninguém se aborrecer

Ela ganhou mais um nome

Logo depois de nascer

Tornou-se Maria Flor

E assim pôs-se a crescer

 

O jardim a florescer

A primavera chegou!

Correu notícia no sítio

Rebuliço se instalou

“Vai ter baile e muita dança

o vizinho convidou!”

 

Cada moça procurou

uma roupa pra usar

Maria Flor foi correndo

No seu baú foi buscar

Escolheu um vestidinho

O mais bonito que há!

 

Mas ao experimentar

O vestido não cabia!

Essa Flor cresceu tão rápido

Coitadinha da Maria!

Provou, abriu, não fechou

Nenhuma roupa servia!

 

Uma prima lhe acudia:

“Esse aqui pode ser seu

Já não cabe mais em mim

Já não pode mais ser meu”

Maria pegou o vestido

E à prima agradeceu

 

A menina entristeceu

Queria roupa novinha!

Algo bem diferente

Com detalhes na bainha

Com gola, manga e botão

Babado, laço e fitinha

 

Foi chegando a noitinha

Família toda animada

Só Maria, cabisbaixa

Num cantinho, encostada

Mas quando chegou na festa

Ficou logo deslumbrada!

 

A casa bem decorada

O jardim muito bonito!

Aliás, em todo o sítio

Foi seu canto favorito

Sentou-se ali, entre as plantas

Ficando longe do agito

 

Quando ouviu barulho aflito:

“Que cara é essa querida”

perguntou-lhe uma cigarra

pousada na margarida

Maria Flor respondeu:

Estou muito mal vestida!”

 

E com cara de sofrida

a menina prosseguiu:

Este vestido é usado

Porque outro não serviu

Está grande e desbotado

Não sei se a senhora viu…”

 

E a cigarra fez: “psiu!

Eu posso te ajudar!

Vou chamar alguns amigos

Sua roupa incrementar

Você já é tão bonita

E mais bela irá ficar!”

 

Flor não quis acreditar

Mas a cigarra chamou

A mais linda borboleta

Que em seu colo repousou

“Quer broche melhor que esse?”

A cigarra perguntou

 

E ela então continuou

“Que venham as joaninhas!”

De cima a baixo da roupa

Fizeram fila retinha

“Estes são os seus botões,

mas podem fazer cosquinha!”

 

A astuta cigarrinha

Muitas flores contratou

A papoula bem frondosa

Em mangas se transformou

Cada pétala de rosa

A cigarra costurou

 

Com o fio que sobrou

De uma teia da aranha

Fez assim uma bainha

De beleza tão tamanha

E ainda completou

“Tem alguma coisa estranha…”

 

“Margarida, não se acanha!

É você que está faltando!”

A flor branca e amarela

Foi de pronto se instalando

Nos cabelos de Maria

Que estava adorando!

 

Uma planta se arrastando

Dessas feito trepadeira

Agarrou-se na cintura

E enrolou-se por inteira

A cigarra agradeceu:

Bem-vinda, dona Parreira!

 

Centopéia, bem faceira

Veio quase tropeçando

Subiu até lá em cima

Foi na gola se instalando

Parecia um colar

Com muitas contas brilhando

 

Maria se viu dançando

Não podia acreditar!

Nunca vestiu-se assim

Nunca de imaginar

Quase beijou a cigarra

Que falou pra não cantar:

 

Vá depressa aproveitar

 na festa se entreter

e quando tudo acabar

venha logo devolver

cada coisa pro seu canto

pro jardim poder viver”

 

Maria então foi fazer

O que a cigarra mandou

Se divertiu como nunca!

Todo mundo elogiou

O vestido mais bonito

Que ninguém jamais usou

 

E quem foi que costurou?

Todo mundo perguntava

Maria contava tudo

Mas ninguém acreditava

Ela estava tão feliz

Que pros outros nem ligava!

 

Maria contagiava

Todos com sua alegria

E já nem se importava

Com a roupa que vestia

Assim voltou ao jardim

Onde a cigarra vivia

 

Ali desfez a magia

A todos agradeceu

Cada coisa em seu lugar

A menina devolveu

Voltou com vestido velho

Só que ninguém percebeu!

 

E o dia amanheceu

A festa teve seu fim

Maria Flor florescia!

Terminou feliz assim

A história da menina

Que vestiu-se de jardim!

 

Mariane Bigio, Recife, 07/06/14

Publicado em Cordel para Crianças | Marcado com , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , | 1 Comentário