Tereza
reza
Te reza
te benze, te unge
sê tu mesma a tua santa
a tua freira
a tua irmã
reza e perdoa os teus pecados
Tereza
Teu Terço
Tua Trindade
santa
Tereza
reza
Te reza
te benze, te unge
sê tu mesma a tua santa
a tua freira
a tua irmã
reza e perdoa os teus pecados
Tereza
Teu Terço
Tua Trindade
fugazmente
ferozmente
a velocidade engole tudo
full gas
atropelo dos dias
pelos dias
pelas horas
minutos
segunda começa tudo de novo.
A Festa da Carne se aproxima. Maldita bendita folia.
A troça vem de longe vassourinhas
Paralelepípedos,chão,rua
Acordes tão agudos…rasgam,pua
As vozes cantam forte as marchinhas
Soprano das “senhouras” e mocinhas
Entoam o coro tradicional
À frente o estandarte original
Representando o bloco que euforia
E tudo só finda ao raiar do dia
Brincantes! Foliões! É carnaval!
—–
Caboclos com as lanças adornadas
Maracatus da baques variados
Os baques soltos e baques virados
Das negras com calungas levantadas
Dos reis e das rainhas coroadas
Encanto do cortejo imperial
Alfaias na batida principal
E o povo se sacode na folia
E tudo só finda ao raiar do dia
Brincantes!foliões!é carnaval!
—–
O trôpego Monarca se balança
O cetro carregado de ‘fervência’
Brilhante, simboliza a veemência
A glória reverbera em sua pança
Passistas abrem ala nesta dança
A fantasia faz-se ali real
Num ritmo cadente sem igual
Completa miscelânea de alegria
E tudo só finda ao raiar do dia
Brincantes!Foliões!É carnaval!
—–
No Toré, sete flechas empunhadas
Caboclinhos da tribo Paranambuco
Um Cocar, meu Pajé é Mameluco
Uma índia com a cara pintada
Em Olinda ouvi a trombonada
Na ladeira em descida abismal
Um Boneco Gigante em seu astral
Eu Acho é Pouco toda a energia
E tudo só finda ao raiar do dia
Brincantes! Foliões! É Carnaval!
Mariane Bigio
Esses dois pombinhos vão juntar as escovas de dente no dia 05/01/2010. Coube a mim fazer um cordelzinho narrando, brevemente, a história do casal. Foi muito prazeroso fazê-lo, e através dele transmito energias positivas e votos de alegria aos dois! Parabéns!
“Bem, senhoras e senhores
Que se encontram no salão
Venho agora lhes falar
De coisas do coração
Só lhes peço peito aberto
E um pouco de atenção
–
A história que eu conto
É a história do casal
O Fábio e a Janaína
O que conto é real
Começou com resfriado
E não vai ter mais final…
–
Os pombinhos que vos falo
Quando eram professores
Duma certa faculdade
Flertaram nos corredores
O sotaque do gaúcho
A ela rendeu calores!
–
“E de onde você é?”
Jana perguntou sestrosa
“Do Rio Grande do Sul”
Fábio respondeu à prosa
E vindo da Alemanha
Trouxe uma gripe horrorosa!
–
Ela viu ali seu trunfo:
“Um rapaz afeiçoado
Que esteve na Europa
Fazendo seu doutorado
Com sotaque bonitinho
E se encontra resfriado?”
–
Acometeu-lhe um dó
Uma compaixão danada
Ou já seria paixão
Sendo por ali lançada?
Escreveu uma receita
Como não quisesse nada…
–
A “doutora” escreveu:
“Para gripe é bom limão
Com gengibre, não tem erro”
Mas não foi só isso, não
Ao final pôs seu e-mail
Desde aí danou-se então!
–
O gaúcho respondeu
E a paquera começou
Um encontro, uma pizza
Até um beijo rolou
Depois disso o casal
Nunca mais se desgrudou!
–
O namoro iniciou
Virou amor verdadeiro
Janaína vê em Fábio
Seu perfeito companheiro
O cupido trabalhou
E o tiro foi certeiro!
–
Ela dele cuida bem
E é sua “fashionista”
Já quem em termos de moda
Fábio é meio machista
“Ele escolhe cada roupa
Que é meio esquisita!”
–
Ela é uma cozinheira
De mão cheia, é bom dizer
E Fábio aprova tudo
Que Jana sabe fazer
Só tem que tomar cuidado
Para o bucho não crescer!
–
Mas pra ela não importa
Nem as roupas meio “bregas”
Já que os “ôio” azul de Fábio
Deixam Jana quase cega
Seu amor é feito flor
Que todo dia se rega…
–
E aqui estão os dois
Compartilhando o momento
Selando a união
Por meio do casamento
E são todos testemunhas
Do sublime sentimento
–
O destino uniu as vidas
Dessas duas criaturas
Que pareciam distintas
Vindas de duas lonjuras
Seguirão de braços dados
Por entre as sendas futuras
–
Eu aqui já profetizo
Que os dois assistirão
Sentadinhos no sofá
O Sport, o leão!
E até, talvez, o grêmio
Seja um dia campeão…
–
Vão beber água de côco
E o tal do chimarrão
Que mesmo nessa quentura
Aquece o coração
Tudo que for bom da vida
Esses dois dividirão!
–
E assim até o fim
Sem mais nenhuma querela
Vão viver e dividir
Côco, sofá e panela
E dizer um para o outro:
“Meu Coração Por Ti Gela”!”
–
Mariane Bigio – Dezembro 2010
Poema que virou Vídeopoema.
“Caminhando pelas ruas da cidade
O Caos me perpassa o ventre
Os meus cabelos são fios de alta tensão
Conduzindo uma energia perfumada
Que conecta-se às narinas-tomadas
Que levam até o cérebro
Que processa a imagem-flor
Meu péralelepípedo
Calçado
No salto-asfalto
Pisoteia o que ainda resta da terra batida
Desvia
Dos que, descalços,
Ainda pisam na terra batida.
O Caos perpassa
e se instala em meu ventre
dentro
entre
um órgão e outro
ocupa espaço
me fazendo arrotar palavrões do caralho,
puta que pariu não aguento mais tudo isso!
Erguida
Na copa
Eu-máquina bebo do óleo preto
Que me re-faz funcionar de novo.”
Mariane Bigio
“O Antropofagismo Kani-Balístico
é Vigente
Vi gente devorando gente
sob a luz do dia
deglutição psíquica escancarada
partes humanas mordiscadas
nefasto hábito de seres que se julgam superiores
Não
Eles não vão me engolir
O meu sangue é acre
Minha carne é dura
E meu espírito?
Indigesto.”
Mariane Bigio