Ode Carnavalesca

A Festa da Carne se aproxima. Maldita bendita folia.

A troça vem de longe vassourinhas

Paralelepípedos,chão,rua

Acordes tão agudos…rasgam,pua

As vozes cantam forte as marchinhas

Soprano das “senhouras” e mocinhas

Entoam o coro tradicional

À frente o estandarte original

Representando o bloco que euforia

E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes! Foliões! É carnaval!

—–
Caboclos com as lanças adornadas

Maracatus da baques variados

Os baques soltos e baques virados

Das negras com calungas levantadas

Dos reis e das rainhas coroadas

Encanto do cortejo imperial

Alfaias na batida principal

E o povo se sacode na folia

E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes!foliões!é carnaval!

—–
O trôpego Monarca se balança

O cetro carregado de ‘fervência’

Brilhante, simboliza a veemência

A glória reverbera em sua pança

Passistas abrem ala nesta dança

A fantasia faz-se ali real

Num ritmo cadente sem igual

Completa miscelânea de alegria
E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes!Foliões!É carnaval!

—–

No Toré, sete flechas empunhadas

Caboclinhos da tribo Paranambuco

Um Cocar, meu Pajé é Mameluco

Uma índia com a cara pintada

Em Olinda ouvi a trombonada

Na ladeira em descida abismal

Um Boneco Gigante em seu astral

Eu Acho é Pouco toda a energia

E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes! Foliões! É Carnaval!
Mariane Bigio

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Ah, o amor…

Esses dois pombinhos vão juntar as escovas de dente no dia 05/01/2010. Coube a mim fazer um cordelzinho narrando, brevemente, a história do casal. Foi muito prazeroso fazê-lo, e através dele transmito energias positivas e votos de alegria aos dois! Parabéns!

“Bem, senhoras e senhores

Que se encontram no salão

Venho agora lhes falar

De coisas do coração

Só lhes peço peito aberto

E um pouco de atenção

A história que eu conto

É a história do casal

O Fábio e a Janaína

O que conto é real

Começou com resfriado

E não vai ter mais final…

Os pombinhos que vos falo

Quando eram professores

Duma certa faculdade

Flertaram nos corredores

O sotaque do gaúcho

A ela rendeu calores!

“E de onde você é?”

Jana perguntou sestrosa

“Do Rio Grande do Sul”

Fábio respondeu à prosa

E vindo da Alemanha

Trouxe uma gripe horrorosa!

Ela viu ali seu trunfo:

“Um rapaz afeiçoado

Que esteve na Europa

Fazendo seu doutorado

Com sotaque bonitinho

E se encontra resfriado?”

Acometeu-lhe um dó

Uma compaixão danada

Ou já seria paixão

Sendo por ali lançada?

Escreveu uma receita

Como não quisesse nada…

A “doutora” escreveu:

“Para gripe é bom limão

Com gengibre, não tem erro”

Mas não foi só isso, não

Ao final pôs seu e-mail

Desde aí danou-se então!

O gaúcho respondeu

E a paquera começou

Um encontro, uma pizza

Até um beijo rolou

Depois disso o casal

Nunca mais se desgrudou!

O namoro iniciou

Virou amor verdadeiro

Janaína vê em Fábio

Seu perfeito companheiro

O cupido trabalhou

E o tiro foi certeiro!

Ela dele cuida bem

E é sua “fashionista”

Já quem em termos de moda

Fábio é meio machista

“Ele escolhe cada roupa

Que é meio esquisita!”

Ela é uma cozinheira

De mão cheia, é bom dizer

E Fábio aprova tudo

Que Jana sabe fazer

Só tem que tomar cuidado

Para o bucho não crescer!

Mas pra ela não importa

Nem as roupas meio “bregas”

Já que os “ôio” azul de Fábio

Deixam Jana quase cega

Seu amor é feito flor

Que todo dia se rega…

E aqui estão os dois

Compartilhando o momento

Selando a união

Por meio do casamento

E são todos testemunhas

Do sublime sentimento

O destino uniu as vidas

Dessas duas criaturas

Que pareciam distintas

Vindas de duas lonjuras

Seguirão de braços dados

Por entre as sendas futuras

Eu aqui já profetizo

Que os dois assistirão

Sentadinhos no sofá

O Sport, o leão!

E até, talvez, o grêmio

Seja um dia campeão…

Vão beber água de côco

E o tal do chimarrão

Que mesmo nessa quentura

Aquece o coração

Tudo que for bom da vida

Esses dois dividirão!

E assim até o fim

Sem mais nenhuma querela

Vão viver e dividir

Côco, sofá e panela

E dizer um para o outro:

“Meu Coração Por Ti Gela”!”

Mariane Bigio – Dezembro 2010

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Corpo Urb

Poema que virou Vídeopoema.

“Caminhando pelas ruas da cidade
O Caos me perpassa o ventre

Os meus cabelos são fios de alta tensão
Conduzindo uma energia perfumada
Que conecta-se às narinas-tomadas
Que levam até o cérebro
Que processa a imagem-flor

Meu péralelepípedo
Calçado
No salto-asfalto
Pisoteia o que ainda resta da terra batida

Desvia
Dos que, descalços,
Ainda pisam na terra batida.

O Caos perpassa
e se instala em meu ventre

dentro
entre
um órgão e outro
ocupa espaço
me fazendo arrotar palavrões do caralho,
puta que pariu não aguento mais tudo isso!

Erguida
Na copa
Eu-máquina bebo do óleo preto
Que me re-faz funcionar de novo.”

Mariane Bigio

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Enter title here – já que este poema não tem título.

 

“O Antropofagismo Kani-Balístico
é Vigente
Vi gente devorando gente
sob a luz do dia
deglutição psíquica escancarada
partes humanas mordiscadas
nefasto hábito de seres que se julgam superiores
Não
Eles não vão me engolir
O meu sangue é acre
Minha carne é dura
E meu espírito?
Indigesto.”

Mariane Bigio

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