Sóbrioevivo

somente uma arma será útil

(ante tão sofrível existência)

a nos manter de pé por sobre Terra

mais que a gravidade: a insistência.

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FreePorto nº11 #FreeMobile

A FreePorto, como o nome já anuncia – ou denuncia – é uma festa livre. Surgiu em 2009 para chacoalhar o cenário elitista das Festas Literárias, as Fli’s do Brasil. Em 2011, a FreePorto, concebida pelo grupo de escritores Pernambucanos “Urros Masculinos”, virou de todo mundo e de qualquer um que quisesse “fazer sua própria Festa Literária”.  Vários grupos e pessoas fizeram eventos e intervenções de diversas naturezas e chamaram-nas de FreePorto. A minha, foi Décima Primeira FreePorto, a #FreeMobile, que consistiu em enviar torpedos poéticos via celular para meus contatos e para os contatos de meus contatos. 4 poemetos foram eleitos e enviados para cerca de 120 pessoas da minha agenda telefônica. Amig@s de São Paulo, Rio de Janeiro, João Pessoa e Irlanda receberam os poemas e, assim, participaram da minha/nossa festa. Dois amigos, em especial, ampliaram esta FreeMobile: Jaime (José Jaime Júnior), que encaminhou o poema recebido para seus 112 contatos, e Biagio Pecorelli, também poeta, que criou mais um poemeto e enviou para alguns amigos, inclusive pra mim. Além disso, publiquei no facebook a ideia da FreeMobile e sugeri que quem quisesse receber, ou quisesse indicar amigos para receber os poemas, que enviasse seu número para mim, até o dia 11.11.11, quando se encerrou a minha FreePorto. Algumas pessoas o fizeram, e, ao final do prazo estabelecido, estimo que cerca de 300 pessoas tenham participado da FreePorto 11, a #FreeMobile!

Para saber mais sobre a FreePorto acesse: http://freeporto.wordpress.com/

 

 

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Cordel ao Pé do Ouvido à venda na internet!

Querid@s, o CD Cordel ao Pé do Ouvido está disponível para compra on line no site ONErpm. É só entrar no site, se cadastrar e comprar! É simples, rápido e seguro! As vantagens são: poder ouvir as faixas na íntegra; poder selecionar que faixas comprar; pagar mais barato pelo CD!!!

Acessem, comprem e divulguem, por favor!

Cordel ao Pé do Ouvido – à venda na internet!

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Cordel Umbilical

 

Meu poema vem da tripa
vem de dentro, visceral
quando o verso se emancipa
sinto dor descomunal
misto de choro e prazer
um calor que faz ferver
é uma bala que engatilho
que por dentro me corrói
tanto é gozo quanto dói
é como parir um filho.

 

Mariane Bigio

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Da Palavra

Uma vez perguntei – tive a honra – pra Viviane Mosé : Por que que a gente fala tanto da palavra, da poesia em si e do ato de escrever? Por que tanto metapoema? Ela disse que é isso mesmo, poeta, escritor, tem dessas coisas, de falar sobre seu ofício, que é sua vida e pronto.

Aqui vai uma série de metapoemas metidinhos a “grands coisa”.

pra começar, um aviso:

Palavras soltas ao vento

mas que besteira

faço poesia

e não poeira.

e agora, sobre inspiração (embora eu acredite também na transpiração):

engraçada essa coisa de inspiração

– instantânea –

ontem

dispersa

rabisquei em qualquer canto

na pressa

não notei…

escrevia no verso

d’um poema já impresso

ou melhor, expresso.

um verso avesso do outro.

é como a poesia me é, agora:

de todos os lados de mim.

_____

Yoga

(puxa bem forte pra dentro do peito

e solta pela boca)

inspira

expira

mais uma vez:

inspira

expira

de novo:

inspira

expira

novamente:

inspira

expira

é uma verdadeira yoga,

essa coisa de fazer poema.

é isto, desisto:

há muito desisti da palavra

expressar o que sinto

minto:

resisti à palavra

incrédula, desconfiei de seu poder

de seu potencial

enfim, revesti a palavra.

nova, recosturada

me vesti da palavra

escrevi, escrevi.

e assim

sucumbi à palavra.

quando, por fim, entendi, 

eu era a palavra

me apaguei.

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Arte?

Uma aula sobre História da Arte – na disciplina de Arte na Contemporaneidade – me rendeu inspiração.

Dois haikais e um poemeto. Sei nem se prestam, melhor postar antes de um possível arrependimento.

Exercício 1 – Olhos sobre tê-la

A musa recusou

O artista reclusou

 

Luminoterapia

apagou (a luz)

sorriu

e gozou n@ pret@

 

Eu fico impressionista

pinceladas

pixeladas

impressionada:

diante do tema

coisa

gente

ninguém mais

sente mais

nada

 

 

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Para a Criançada – João Pedro e o Saci


para Jota 


João Pedro estava em casa

Quando ouviu vovó gritar:

“Eita que o feijão queimou,

Não vai ter pra almoçar…

Isso é coisa de Saci

Que adora amolar!”

Que danado é Saci?

Perguntou o menininho

A vó logo respondeu:

O Saci é um negrinho

Que tem uma perna só

E vem num redemoinho…

João escutava atento

Àquela explicação

E vovó continuou

Sem lembrar-se do feijão:

“Ele fuma um cachimbo

Que fede que só o cão!”

“Usa um gorro vermelho

E gosta de aprontar

Gosta de esconder as coisas

E fazer feijão queimar

Ô Saci danado e ruim

Eu inda vou te pegar!”

“Mas vovó, por que saci

Só tem uma perna só?”

“Dizem, foi na capoeira

Que o negrinho deu um nó

E ficou sem sua perna

Mas não sentiu nem um dó”

“E comé que a gente faz

Pro Saci não mais voltar?”

“Se vir um redemoinho

É correr pra apanhar

Uma peneira em casa

Para no saci jogar”

“Depois de ter feito isso

Veja só comé que faz:

Você pega uma garrafa

Uma só, e nada mais

Mas ela precisa ter tampa

Pega o saci e zás!”

Nessa hora João Pedro

Avistou o malvadinho

Vinha como a vovó disse

Rodando em redemoinho

Ele pegou a peneira:

“pego já esse negrinho!”

Deu-lhe uma peneirada

Que o saci nem se mexeu

Pegou a maior garrafa

E o tal saci prendeu

O bichinho balançou

Mas logo, logo cedeu .

“Viva, viva o meu netinho!”

Disse a vó com alegria

O feijão não mais queimou

A partir daquele dia

João Pedro, corajoso

Conseguiu o que queria

Jogou a garrafa longe

E o saci não mais voltou

Tudo ficou bem tranqüilo

Só a paz ali reinou

Foi assim que, finalmente,

A história terminou.

***

Cordel feito em 2010 em homenagem ao meu Irmão, João Pedro, hoje com 9 anos, meu maior crítico literário para temas infantis. Nele também lembro a figura da nossa avó, Dorina, cozinheira de mão cheia, carioca da gema, que faz o melhor feijão preto da redondeza. A primeira edição está esgotada… O cordelzinho continha, além dos versos, figuras vazadas para que as crianças pudessem se divertir também pintando. Salve a Cultura Popular e a Literatura de Cordel, que resiste aos tempos, graças a renovação do público leitor!

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(minha) Tereza

reza
Tereza
reza

Te reza
te benze, te unge
sê tu mesma a tua santa
a tua freira
a tua irmã

reza e perdoa os teus pecados
Tereza

Teu Terço
Tua Trindade

mente, corpo, espírito
santa
Tereza
reza
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Domingo à mingua

fugazmente

ferozmente

a velocidade engole tudo

full gas

atropelo dos dias

pelos dias

pelas horas

minutos

segunda começa tudo de novo.

 

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Ode Carnavalesca

A Festa da Carne se aproxima. Maldita bendita folia.

A troça vem de longe vassourinhas

Paralelepípedos,chão,rua

Acordes tão agudos…rasgam,pua

As vozes cantam forte as marchinhas

Soprano das “senhouras” e mocinhas

Entoam o coro tradicional

À frente o estandarte original

Representando o bloco que euforia

E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes! Foliões! É carnaval!

—–
Caboclos com as lanças adornadas

Maracatus da baques variados

Os baques soltos e baques virados

Das negras com calungas levantadas

Dos reis e das rainhas coroadas

Encanto do cortejo imperial

Alfaias na batida principal

E o povo se sacode na folia

E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes!foliões!é carnaval!

—–
O trôpego Monarca se balança

O cetro carregado de ‘fervência’

Brilhante, simboliza a veemência

A glória reverbera em sua pança

Passistas abrem ala nesta dança

A fantasia faz-se ali real

Num ritmo cadente sem igual

Completa miscelânea de alegria
E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes!Foliões!É carnaval!

—–

No Toré, sete flechas empunhadas

Caboclinhos da tribo Paranambuco

Um Cocar, meu Pajé é Mameluco

Uma índia com a cara pintada

Em Olinda ouvi a trombonada

Na ladeira em descida abismal

Um Boneco Gigante em seu astral

Eu Acho é Pouco toda a energia

E tudo só finda ao raiar do dia

Brincantes! Foliões! É Carnaval!
Mariane Bigio

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