A criança não deve trabalhar / A criança é quem deve dar trabalho!

Foto feita por Janela Estúdio durante a nossa apresentação no Festival Conte Outra Vez - 2014

Criança é feita pra brincar! Essa foto linda foi feita pelo Janela Estúdio durante a nossa apresentação no Festival Conte Outra Vez – 2014, no Teatro do IMIP, em Recife-PE.

A poesia popular é mesmo um encanto! Quem sabe o que é mote? O mote está para a poesia popular como o refrão está para a música. São versos que se repetem a cada estrofe. Inspirada na música “Criança Não Trabalha” do grupo Palavra Cantada (Letra de Arnaldo Antunes e Paulo Tatit) criei o mote: A criança não deve trabalhar /A criança é quem deve dar trabalho! e glosei* algumas décimas** em versos decassílabos***

 

Eu acordo bem cedo pra escola
Tomo banho com muito contragosto
Mas até despertava bem disposto
Se dissessem que é para jogar bola
Minha mãe já resmunga “não enrola!”
E na cama espreguiço, me espalho
No lençol me aninho, me agasalho
O meu pai diz “tu vai te atrasar!”
A criança não deve trabalhar
A criança é quem deve dar trabalho!

Eu adoro brincar com melequeria
Misturar o sabão com água e terra
Depois disso fazer a maior guerra
Molhar os meus amigos com mangueira
Cozinhar só se for de brincadeira
De mentira um cuscuz com queijo coalho
Minha sopa não leva sal nem alho
Mas tem tudo que eu possa misturar
A criança não deve trabalhar
A criança é quem deve dar trabalho!

Gosto de imaginar que estou no mar
Quando sento e balanço lá na rede
Ja pintei com o giz toda a parede
Mas não faço mais pra ninguém brigar
Travessuras eu gosto de aprontar
Dessa arte eu entendo e nunca falho
Já menti mas eu sempre me atrapalho
É melhor a verdade revelar
A criança não deve trabalhar
A criança é quem deve dar trabalho!

Faço birra se é pra tomar remédio
É tão chato ficar aqui deitada
Então tomo para ficar curada
E assim acabar com esse tédio
Vou brincar com as crianças do meu prédio
Mas na hora do banho eu pego atalho
E pra que tomar banho? logo ralho
Porque tenho que parar pra jantar?
A criança não deve trabalhar
A criança é quem deve dar trabalho!

Minhas roupas só vivem no varal
Elas sujam com tal facilidade
Acho que são roupas sem qualidade…
Só por causa da lama no quintal?
Minha calça rasgou lá no final
Minha avó remendou com um retalho
Fui pra escola igual a espantalho
Com um peido ela pode se furar
A criança não deve trabalhar
A criança é quem deve dar trabalho!

 

*glosa: estilo da poesia popular nordestina no qual os poetas (principalmente cantadores) desafiados respondem a um mote criando uma ou mais décimas;

**décimas: estrofes de 10 versos;

*** decassílabos: versos com 10 sílabas poéticas;

 

pra quem não conhece a música que inspirou a poesia… lá vai:

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Cordel Animado no Youtube!!!

Novidade no ar! O PRIMEIRO VÍDEO do nosso canal do Cordel Animado está disponível! A primeira de muitas #históriasartesanais que virão! Assistam, mostrem aos seus pequenos, compartilhem, divirtam-se! A primeira história lançada é o Cordel “Marmelo, o Jacaré Banguelo!”, com utilização de mamulengos! Fiquem ligados no nosso canal do Cordel Animado no Youtube pra não perder nenhum lançamento!

 

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Marmelo, o Jacaré Banguelo!

Marmelo

Essa histórinha de cordel foi inspirada por um simpático casal de mamulengos que encontrei na FENEART e uma Xibana, que deveria ser uma cobra, mas se parece muito com um jacaré sem dentes! Apois!

Um rapaz muito sabido

De codinome Zezinho

Apaixonado arriou-se

Pela filha do vizinho

Pediu socorro ao amigo

Um belo jacarezinho

“Marmelo, meu caro amigo”

Disse ele ao jacaré

“Me ajude por favor

Conquistar essa muié

E se acaso eu conseguir

Eu te pago um picolé!”

O jacaré em questão

Era doidinho por doce

Não gostava nem de carne

E adorava algodão-doce

E se visse um picolé

Virge maria, cabosse!

Também era inofensivo

Pois não tinha um só dente

de tanto chupar confeito

sua boca ficou doente

Assim ele não mordia

nem animal e nem gente!

“Nosso plano é o seguinte:

Você irá atacar

A moça durante a noite

E eu venho pra salvar

Feito um herói valente

E seu amor conquistar

Você se finge de morto

Ou então pode fugir

Mas não esqueça uma coisa

A boca não pode abrir

Pois se você fizer isso

tudo ela vai descobrir!”

E assim eles fizeram

Lá se foi o jacaré

Entrou correndo na casa

A moça estava de pé

Deu grito e defendeu-se

E nem precisou do Zé!

Com um cabo de vassoura

Ela bateu no bichinho

Que num berro abriu a boca

“é banguelo, o coitadinho!”

E o jacaré gritou:

“foi ideia do Zezinho!”

O rapaz explicou tudo

Mas moça não gostou

E foi pelo jacaré

que ela se apaixonou

o Zezinho fez de tudo

só que nada adiantou

ela cuidou do bichinho

que levou uma paulada

levou ele no dentista

fez uma “chapa” arrumada

e o Zezinho até hoje

procurando namorada

E assim essa história

Teve um final singelo

O rapaz se achando esperto

perdeu tudo pro Marmelo

E a mocinha se casou

Com o Jacaré Banguelo!

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Junho a todo vapor!!!

Vai ter muita poesia, história, cordel e diversão este mês, sabiam? Apois se liguem!

– Temporada no Shopping Recife!

A partir do dia 30/06 eu (cordéis, jogos e cantigas), Milla Bigio (zabumba, pandeiro e bagunça) e Samuel Lira (sanfoninha, flauta e escaleta), faremos a farra toda sexta, sábado e domingo, com 3 sessões do espetáculo de Contação e Cantação de Cordéis e Cantigas, entre 14h e 16h, no Arraial dos Matutinhos, lá no Shopping Recife! Pense que esse trio vai botar pra quebrar!

 

– Cordel Animado no Clube 17!

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– Histórias, Músicas e fogos de artifício na Vila 7 Graças! (Ingressos limitados)

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Lampião, lá do Sertão!

lampião e maria

“Bem no meio da Caantiga

E não falo do “fedô”!

Pois entendam que esse nome

(Seu menino, seu “dotô”)

é dado à vegetação

que cresce lá no Sertão

onde a história se “passô”

*

E foi em Serra Talhada

Num canto desse Sertão

Que nasceu um cangaceiro

O seu nome: Lampião

Para uns muito malvado

Para outros um irmão

*

Ele era muito brabo

Tinha muita atitude

Alguns dizem, hoje em dia

Que ele era o Robin Hood

Roubava do povo rico

Dava a quem só tinha um tico

De dinheiro e de saúde

*

Ou talvez fosse um pirata

Mas não navegava não

Ele tinha um olho só

Também era Capitão

Comandava o seu bando

Com muita satisfação

*

O cabra era tão raivoso

Que se um pedacinho entrava

De comida entre os dentes

E muito lhe incomodava

Ele pegava um facão

E fazia uma extração

Que nem o dente sobrava!

*

E esse homem tão temido

Também tinha sentimento!

Um dia se apaixonou

E pediu em casamento

A tal Maria Bonita

Que lhe deu consentimento

*

Ela também era braba

E andava no seu bando

Demonstrou que a mulher

Também tem força lutando

e seguiu o seu marido

mundo afora, caminhando

*

Entre uma batalha e outra

Lampião se divertia

Gostava duma sanfona

E dançava com Maria

Seu bando fazia festa

Até o raiar do dia

*

Ele dançava forró

Xaxado e também baião

Gostava era das cantigas

Das noites de São João

*

Numa noite de Luar

Bem cansado de fugir

Da polícia que jamais

Cansou de lhe perseguir

Lampião olhou pro céu

Cantou antes de dormir:

*

“Olha pro céu meu amor

Vê como ele está lindo

olha praquele balão multicor

que lá no céu vai sumindo.”***

*

E assim adormeceu

Junto da sua Maria

A polícia os encontrou

Logo cedo no outro dia

*

Foi cantando uma cantiga

Sobre o céu do seu rincão

Que se despediu da vida

O temido Lampião

Que faz parte da história

e hoje vive na memória

de quem é da região

*

E é cantando esta canção

que eu encerro a poesia

de uma história que falou

de tristeza e alegria

vamos continuar no xote

me despeço com o mote:

Adeus, até outro dia!”

Um Cordel escrito com leveza, para iniciar a história de Lampião e Maria Bonita para a garotada! Optei por misturar estrofes em quadras, sextilhas e setilhas, pra ficar mais diverso, e no texto ainda deixo no ar um convite pra todo mundo cair na dança, que já já é São João!

***Trecho da música “Olha Pro Céu”, de Luiz Gonzaga e José Fernandes 

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A Bagunça dos Brinquedos – Literatura de Cordel para Crianças

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No baú da minha casa

Escutei um burburinho

Parecia uma conversa

Fui chegando de mansinho

E colei o meu ouvido

Na tampa do bauzinho

 

Então abri uma brecha

Para poder descobrir

O que estava acontecendo

Para ver além de ouvir

E pensei comigo mesma:

“O baú eu vou abrir!”

 

Qual não foi minha surpresa

Quando vi a discussão

Entre um monte de brinquedos

Na maior agitação!

Uns gritavam, outros riam

Era grande a confusão!

 

Logo vi Mané Gostoso

Fazendo uma estripulia

Dizendo: “sou acrobata!

Muita gente me aplaudia!

Posso até virar atleta!”

E alguém gritou: “mái pia!”

 

Depois o Pião falou:

E eu sou equilibrista

Rodo, rodo e não caio

Sou melhor e não insista

Nessa caixa de brinquedos

Eu sou verdadeiro artista!

 

A Peteca remendou:

“Eu sou bem mais divertida!

Pulo de uma mão pra outra

Tenho penas coloridas

Nunca canso de brincar

Tenho fama merecida!”

 

Depois veio o Iôiô

Com a fala repartida

Subia dizendo coisa

Completava na descida

Eu que nunca tinha visto

Uma coisa parecida:

 

“Pois comigo

.[a criançada

Tem que ter

.[habilidade

Sou brinquedo

.[que de todos

É o que tem

.[mais qualidade

Pra brincar

.[tem que treinar

Não importando

.[a idade!”

 

O Rói-rói já se roía

Pra falar desaforado

E então soltou o verbo

De um jeito malcriado:

“Eu sou quase um instrumento!

O meu jogo é musicado!”

 

E por fim o Cata-vento

Com frases assobiadas:

“A beleza que eu tenho

nunca vai ser comparada

a criança que me sopra

fica logo deslumbrada!”

 

Então tive que intervir

E dar minha opinião:

“Ei vocês, estão me ouvindo?

Eu falo de coração!

Todos são muito queridos

Prestem muita atenção!”

 

“Não há como comparar

Cada qual tem o seu dom

Não existe essa coisa

De um ruim e outro bom!”

Acho que eles entenderam

E abaixaram logo o tom

 

Começaram a sorrir

E disseram: “Obrigado!”

Eu fiquei ali brincando

com o baú encantado

Como se naquele instante

O tempo houvesse parado!

 

 

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Pemínimos

livro mínimo

Vim do Cordel. Comecei assim. 30 estrofes ou mais. Uma arte de contar história em verso rimado e metrificado, ritmado, cantado mesmo. Mas aí me vi dizendo tudo o que queria com uma estrofinha de nada. Tudo. Poemínimos, poemetos, curtos, de longo alcance, calibre fatal. O ano começou e já soltei alguns por aí. Achei por bem reuni-los, pra ver se juntos dão dez linhas ou mais. Nem sei.

 

Do amor

 

É tão simples:

história é trama

feita de nós.

*

À Moda Antiga

 

Entreguei meu corpo à palavra.

Fui forçada a me casar com ela

no papel.

*

Consideração I – Vestígios

 

O vestígio é cruel e maligno.

É permanecer depois da partida.

Estar, mesmo ausente.

É a ponta da tinta velha que aparece na parede pintada de nova.

É o mata-leão na derradeira tentativa de recomeçar.

 

Se tiver que ir, vá.

Sem vestígio algum.

*

Consideração II – Vestígios

 

Não fossem os vestígios não haveria história alguma.

Ái do perdão se não houvesse a mágoa.

 

Se tiver que ir, vá.

Eu me perdôo.

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Adivinhas de Natal em formato de Cordel!

Xilogravura Árvore de Natal

 

 

Desde o lançamento da Coletânea “O Que Sou Eu?” de cordéis infantis para ler e colorir que  volta e meia trabalho a junção do Cordel com as Adivinhações para criar Histórias Infantis. Desta vez, eu e minha amiga e grande parceira, a também cordelista Susana Morais, fizemos juntas algumas estrofes com tema natalino. Posto aqui uma parte das estrofes que criamos e que deve virar um folheto de Cordel dentro em breve… quero ver se vocês adivinham… Feliz Natal!!!

 

Ele traz a alegria

pra este mundo cruel

distribui a esperança

vem voando pelo céu

sempre cheio de presentes

ele é ______?

 

Não é carro nem foguete

não faz fumaça nem pó

papai Noel no comando

guia mas não está só

renas puxando com força

seu transporte é o ______?

 

Puxo o trenó do Noel

Toda vez que ele ordena

Eu ajudo no Natal

Vivo em alegria plena

Sou um animal veloz

Todos me chamam de _______?

 

Nem sempre sou de verdade

Eu sou artificial

Fico sempre enfeitada

Você não acha outra igual

Eu sou verde ou colorida

Sou a  ______?

  

Ela tem que estar limpinha

Sem chulé e nem areia

Quando for tarde da noite

Depois de comer a ceia

Noel deixa um presente

Lá dentro da nossa _______?

 

 

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Micro manifesto pela autonomia da infância

Foto de Jonas Araújo

Foto de Jonas Araújo

                                    

 

criança não é um adulto pequeno.

A criança produz significado, e, assim,

produz também cultura.

                                                                                                                        

brincadeira é a sua linguagem, seu dialeto.

A criança precisa ser reconhecida como indivíduo,

sujeito criador e atuante no mundo.

 

A criança deve ser protegida, mas acima de tudo,

respeitada.

 

Mariane Bigio, Fevereiro de 2013.

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Feliz dia dos Professores!!!

Aos professores, formais e informais, mestres de todos os tipos que passaram pela minha vida: Obrigada!

Em sua homenagem deixo aqui um singelo poema que escrevi e um vídeo, que tive a honra de poder produzir junto ao Sindicato dos Trabalhadores da Educação de PE.

“As palavras que eu escrevo no poema
Já não se mostram capazes de expressar
‘gratidão’ será tão pouco pra falar
e traduzir a grandeza deste tema
o Saber que existe além do teorema
transmitido aos alunos com louvor
das metáforas da vida, um mentor 
Poesia para muito além do Verso
a Ciência muito além do Universo
Se alcançamos foi graças ao Professor!”

 

 

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