
Em Sousa na Paraíba
Bem no Sertão Nordestino
Há um Sítio Arqueológico
Debaixo do Sol à pino
Com gigantescas pegadas
Por dinossauros deixadas
Os Jurássicos inquilinos…
Várias espécies de Dinos
Passearam no Sertão
Isso foi há muito tempo
Bem antes de Lampião!
Milhões de anos atrás
Hoje não vivem mais
Pois entraram em extinção
Mas houve uma ocasião
Há alguns anos passados
Antes de alguém estudar
Os vestígios encontrados
Que naquela região
Um caso de assombração
Deixou todos alarmados!
O mistério foi lançado
Numa noite de luar
Enquanto o povo dormia
O chão pareceu vibrar
Era como se um gigante
De passo nada elegante
Quisesse se aproximar
Quem não queria escutar
Sentia a terra tremer!
A cada passo que o monstro
Parecia percorrer
As louças todas quebravam
As panelas despencavam
Era grande o seu poder!
Quando o Sol vinha nascer
Na feira da região
Não falavam de outra coisa
Que não fosse a assombração
Uma criança apontou:
“Olha o Boi que ele matou!”
Tava feita a confusão!
Estirada pelo chão
Encontrava-se a carcaça
De um Boi que era valente
Mas que à noite virou caça
Da fera misteriosa
Certamente monstruosa
De desconhecida raça
Piorou toda a desgraça
Quando viram as pegadas
Que pelo monstro assombroso
Teriam sido deixadas
O Padre foi convidado
E no buraco pisado
Água Benta derramada!
Uma mocinha intrigada
Passou toda a noite em claro
A menina Teodora
Pra aventura tinha faro
Depois de uma longa espera
Sentiu os passos da fera
Saiu sem nenhum amparo
No céu um Luar tão raro
Como há muito não se via
E Teodora adentrou
Num espaço de magia
Pois a noite do Sertão
É uma outra dimensão
Carregada de energia…
A menina se escondia
Entra as plantas se esgueirava
Foi quando sentiu enfim
Que o monstro se aproximava
Quase lhe faltou coragem
Quando o bicho abriu passagem
Ela mal acreditava!
O monstrengo passeava
Pisando a mesma pegada
Que ali bem naquele chão
Havia sido deixada
Suas patas encaixavam
Nas marcas que ali estavam
Numa rota compassada
Era a assustadora ossada
De um bicho que foi extinto!
Esqueleto gigantesco
De um Dinossauro faminto
Talvez um Tiranossauro
Mais feroz que o Minotauro
A julgar por seu instinto!
A Caatinga é labirinto
E a menina viu-se presa
Tentou achar a saída
Mas já não tinha certeza
Num gravetinho pisou
O Dinossauro escutou
E virou-se com brabeza!
Teodora com destreza
Correu com velocidade
O esqueleto a perseguia
Com muita voracidade
E Teodora ofegante
Se esquivava do gigante
Com todo esforço e vontade
Pra sua felicidade
O monstro se atrapalhou
Pisou fora das pegadas
E se desequilibrou
A queda foi estrondosa
E aquela ossada horrorosa
De pronto se desmontou!
O encantamento quebrou
O esqueleto virou pó
Teodora foi dormir
Co’ a cabeça dando nó
Não sabia se foi sonho
O Dinossauro medonho
Que encontrou estando só
De manhã, um quiproquó
Tomou conta do lugar
“Será que foi terremoto”
Um se pôs a perguntar
O estrondo da madrugada
Maior que noite passada
Tinha dado o que falar!
Teodora foi buscar
Uma pista no local
Do encontro com a fera
Que quase lhe fez um mal
Procurava novidade
Provando a realidade
De algo sobrenatural
Na pegada colossal
Percebeu rastro recente
Tocou dentro do buraco
O solo ‘inda úmido e quente
E para sua surpresa
Quando olhou com mais clareza
Avistou um grande dente!
Teodora estava crente!
Realmente aconteceu!
Não foi só um pesadelo
De quem logo adormeceu
Do dente fez um colar
Então resolveu guardar
Como um amuleto seu
A menininha cresceu
Se formou pesquisadora
Mas não conta pra ninguém
Sobre a noite assustadora
Em que a ossada ambulante
A perseguiu vacilante
Com ânsia devoradora
Teodora exploradora
Voltou à terra natal
Hoje estuda as tais pegadas
Do dinossauro ancestral
Que a Terra não mais habita
Mas lhe fez uma visita
De maneira surreal!
O encontro fenomenal
Parece coisa impossível
Mas quem viveu essas noites
Sentindo o tremor terrível
Do monstro da pré-história
Guarda como notória
A lembrança inesquecível!