A História da Monga em Cordel

Era dia lá no bairro
Foi quando o Circo chegou
Nunca vi tanto alvoroço
Quando alguém anunciou:
Alô, alô criançada
Aqui faremos parada
O Circo fará seu show!

O meu olho até brilhou
Quando o trailer avistei
Tinha até perna-de-pau
Dez palhaços eu contei
Vi uma mulher barbada
Uma cigana enfeitada
Tanta coisa que nem sei!

No portão me pendurei
Vi o cortejo passar
Corri pra dentro de casa
Fui depressa me arrumar
A lona se levantava
E a pipoca já cheirava
Eu mal podia esperar!

Demorou muito a passar
O tempo que não corria
Quando contamos minutos
Pra viver uma alegria
O relógio fica lento
O coração bate atento
Numa contida euforia…

Mas como que por magia
A Lua brilhou no céu
Na entrada entregamos
Os bilhetes de papel
Vi uma roda-gigante
Cavalinhos saltitantes
Num charmoso carrossel!

Brilhava acima um painel
A principal atração
Um letreiro luminoso
Que me chamou atenção:
Não venha aqui se for fraco
Monga, a mulher macaco
A pior assombração!

A Monga era a sensação
E todos falavam dela
Disseram que até virou
Caso de filme e novela
Fui a primeira da fila
Pra ver a mulher gorila
Que no circo se revela

Se lá fora uma aquarela
Lá dentro: uma escuridão!
Uma música sinistra
O cilma era de tensão
Uma jaula a nossa frente
E do nada, de repente
Começa a apresentação…

Um homem de vozeirão
Apresentou a mocinha
Delicada e vaidosa
Com biquíni de bolinha
“E agora, atenção
Vejam a transformação!”
Lá se foi a pobrezinha…

Ela ficou quietinha
E a jaula foi trancada
A música ficou mais alta
E eu mais amedrontada!
Foi aí que de repente
E bem diante da gente
A moça foi transformada!

Eu fiquei embasbacada!
No lugar da pele, pêlos!
Garras e dentes enormes….
Sumiram-se os cabelos
O corpo cheio cortes
E Aqueles braços tão fortes
Nada podia contê-los!

Era como um pesadelo
Todo o público gritava!
E quanto mais alto o grito
Mais a música tocava
A Monga então se soltou
E sobre nós avançou
E quase que me alcançava!

Uma moça desmaiava
E um rapaz a resgatou
Eu corri dali de dentro
Não vi quem atrás ficou
Alguém tocou no meu ombro
Eu pensei com muito assombro
Oh, a Monga me pegou!

Mas foi vovô quem chegou
Tinha vindo me buscar
E ficou sem entender
Eu mal podia falar
Só vi a Monga correndo
Mas não vi ninguém prendendo
Pra novamente enjaular!

Eu depois ouvi falar
Que do circo ela fugiu
Dizem que anda a procura
Do marido que partiu
Vai ver que ela o devorou
E depois nem se lembrou
Como foi que ele sumiu

Até hoje ninguém viu
Não há quem saiba dizer
Se a Monga ainda vive
Se ‘inda vai aparecer…
Mas a Monga não vacila!
Se vir a Mulher Gorila
É melhor você correr!!!

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About Mariane Bigio

Poeta e Videasta. Eu faço versos como quem chora, ama, brinca, ri.... Eu faço versos como que vive.
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